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23/11/2005 - 19h23 Ansiedade excessiva pode atrapalhar até a paquera, mas tem tratamento Veja o programa em vídeo
Da Redação Levante a mão quem não se considera uma pessoa ansiosa. Em algumas situações, porém, isso pode se tornar um caso médico. Estima-se que 25% da população mundial tenha algum tipo do que os especialistas chamam de transtorno de ansiedade --que abrange desde as fobias (medo de altura, de bichos etc) aos ataques de pânico. A ansiedade excessiva pode atrapalhar até na paquera. No programa Consulta Médica desta quarta-feira, o psiquiatra Tito Paes de Barros Neto, do Hospital das Clínicas de São Paulo, respondeu a perguntas sobre medo e ansiedade (clique aqui para ler). Numa delas, um internauta relatou: "Fico muito ansioso e tenso na hora da paquera, o medo do ridículo e da rejeição me faz travar quase sempre". "Essa é uma situação bem característica de fobia social: a pessoa teme a avaliação que o outro vai fazer dela", respondeu o médico. Tito lembrou que já teve um paciente que ficou 11 anos sem namorar. "Ele se sentia humilhado. Se uma mulher sorria para ele, ele achava que ela estava rindo dele, já se sentia ridículo." O transtorno tem tratamento e faz parte dele reaprender a abordar, a não ser monossilábico nas conversas --"coisa que quem tem fobia social normalmente é", explicou o psiquiatra. "Burrice emocional" na hora da prova Outro transtorno de ansiedade está ligado ao desempenho: é aquele em que a pessoa tem medo de não ser capaz. "O pior sintoma dessa ansiedade é o branco, a pessoa fica incapacitada de raciocinar. Não acredito em burrice intelectual, mas alguns autores falam em burrice ou estupidez emocional, pois a pessoa acometida sabe a matéria, por exemplo, mas na hora da prova ela não consegue mostrar que sabe. A ansiedade prejudica o desempenho." Preocupação exagerada e constante Preocupação excessiva com tudo --saúde, filhos, dinheiro, emprego, clima- pode ter um nome: transtorno de ansiedade generalizada. Diferente do pânico, que ocorre em crises, nesse caso os sintomas estão presentes constantemente, comentou Tito. "A pessoa fica com tensão muscular, tremor, sudorese, inquietação, fica muito irritada, tem brancos... Quando a ansiedade se mantém mais ou menos constante ao longo da vida a gente fala num quadro de ansiedade generalizada, que pede um tratamento." Medicamentos ou terapia? Cada caso é um caso, mas muitas vezes, explicou o médico, o tratamento ideal é o que combina medicação e terapia. "O medicamento trata os sintomas e a psicoterapia mexe no mecanismo que causa esses sintomas. Penso que as duas coisas sejam úteis para conseguir controlar um sintoma agudamente e cuidar desse sintoma no longo prazo, prevenindo a ocorrência dele novamente." "É saudável ter um pouco de medo" Não ter medo de nada também não é bom. "O medo é um legado que o ser humano carrega e que o protege contra a sua própria extinção", disse o psiquiatra. "Não ter medo nenhum não é saudável, você pode morrer. Imagine que uma pessoa não tenha medo de bater o carro. Ela vai passar em sinal vermelho, vai pisar fundo, atropelar gente... Sem medo, poucas pessoas sobreviveriam no mundo. É saudável, sim, ter um pouco de medo." Clique aqui para ler as perguntas e respostas do bate-papo
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