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07/12/2005 - 19h55 Gripe x resfriado: "saber a diferença é o primeiro passo para a cura" Veja o programa em vídeo
Da Redação Quantas vezes você ficou "gripado" neste ano? Além de comum, a gripe é doença que vira e mexe acaba sendo confundida com resfriados, rinite e outros males. Mas com a "verdadeira" gripe não se brinca: "Nos últimos 25 anos, o número de pessoas que morreram de Aids no mundo é igual ao das que morreram por gripe: 700 mil a 1 milhão por ano", comentou o geriatra João Toniolo Neto. Especialista em gripe, o professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) tirou dúvidas dos internautas no Consulta Médica desta quarta-feira (leia as perguntas e respostas). Toniolo explicou que a gripe se torna ainda mais ameaçadora a quem tem uma doença concomitante. "O papa morreu de gripe", lembrou. "Nas pessoas que têm doenças preexistentes, a gripe vem, descompensa aquela doença, só que o indivíduo vai morrer dois meses depois. Aí se esquecem do que desencadeou aquele quadro." Para curar a gripe, o primeiro passo é saber reconhecê-la, disse Toniolo. Segundo ele, esta é uma doença inconfundível. "Quem teve gripe não esquece. Sabe dizer até a hora em que começou a ficar mal", descreve. "Dá febre alta, dores no corpo, mal-estar, tosse --às vezes seca, sem secreção. Não tem muito sintoma de coriza, dor de garganta. Esse é o resfriado comum. A gripe derruba mesmo." A vacina funciona? A famosa vacina, explicou Toniolo, é meio eficaz de prevenção para 75% a 80% dos quadros de gripe, causada pelo vírus influenza. "Há mais de cem outros vírus parecidos que dão o resfriado comum." "Muitas vezes a pessoa toma vacina e depois de um mês tem uma coriza, uma dorzinha de garganta e diz: 'tomei a vacina e acabei tendo gripe'", comentou. "Não há chance de a vacina vir a dar um quadro de gripe. O que provavelmente acontece são resfriados. Mas depois de tomar a vacina demora 15 dias para ela começar a lhe proteger." Repouso absoluto não é bom O médico destacou que já existem remédios que combatem o influenza. "Até o ano 2000 a gente só tinha medicação para os sintomas da gripe: analgésico, antipirético etc", lembrou. "Com os antivirais, consegue-se melhorar muito os sintomas e reduzir as chances de complicação." Ficar deitado na cama não é recomendável. "Você predispõe o pulmão a ficar parado, juntar secreção e complicar com pneumonia." Além de medicação, o tratamento básico é "muita hidratação, muito líquido, não ficar com febre alta". Se o quadro não estiver evoluindo bem, o melhor é procurar o médico, disse Toniolo. "A pessoa pode estar com uma infecção secundária causada por uma bactéria." Gripe aviária: "não adianta estocar remédios" Sobre a gripe aviária, o especialista disse que "o grande problema é quando ela começa a passar para o humano. "Foi o que aconteceu com 120 pessoas no mundo. É muito pouquinho ainda, mas a metade morreu." O médico explicou que o contágio se dá pela ingestão da carne crua da ave contaminada, contato respiratório e contato com a mão. Questionado por um internauta sobre a conveniência de estocar o remédio para a gripe aviária, visando uma pandemia, o médico respondeu que não é necessário. "Todos os países, inclusive o Brasil, estão fazendo planos de contingência em relação à epidemia. Não adianta ficar estocando, utilizando errado. E não se tem experiência sobre se isso pode criar uma resistência ou não..." Outros mitos Toniolo derrubou outros mitos relacionados à gripe em geral. "A duração pode ser de até 10 dias. Não existe gripe de um, dois meses", afirmou. "Quem diz 'eu sempre tenho gripe', não tem gripe. Gripe se tem uma vez no ano, quiçá duas." Clique aqui para ler as perguntas e respostas do bate-papo UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
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