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02/06/2006 - 19h06
O que diz nova pesquisa: analgésico mais seguro do mundo também inspira cuidado

Veja a entrevista em vídeo

Da Redação

Depois dos antiinflamatórios mais vendidos do mundo -os da família do Vioxx-, agora outro remédio para dor está sob suspeita de aumentar os riscos de ataques cardíacos: é o ibuprofeno (vendido como Advil, entre outros nomes comerciais), tido até aqui como um dos mais seguros.

Um estudo com 140 mil pessoas feito pelas Universidades de Oxford e de Roma e publicado na última edição do "British Medical Journal" concluiu que o medicamento eleva o risco de ataques cardíacos quando tomado em altas doses, por um longo período. Com um outro analgésico, o diclofenac (vendido no Brasil como Cataflam, entre outros nomes), chegou-se a um resultado bem parecido.

"No caso do ibuprofeno, diclofenac e os demais antiinflamatórios tradicionais, nunca houve discussão sobre essa possibilidade de provocar alterações cardíacas. Mas isso é só quando se usa uma dose muito elevada e por tempo prolongado. Aliás, é o mesmo perfil que tirou o Vioxx do mercado", comentou o toxicologista Anthony Wong, do Hospital das Clínicas de São Paulo, em entrevista ao UOL News nesta sexta-feira.

"Na dose analgésica, que é de 200mg, o ibuprofeno é extremamente seguro. Mais do que dipirona e muito mais do que o paracetamol e o ácido acetil salicílico (aspirina)", afirmou o médico. "Todo remédio pode ser perigoso. É só usar na dose certa, que não tem problema."

Entenda o que são altas doses

Segundo Wong, altas doses de ibuprofeno seriam 600mg ou mais por vez. "Mesmo assim, o risco de problema cardíaco é muito pequeno e não existe se o remédio for usado de forma intermitente", ou seja, com intervalos de algumas semanas em que se pode substituí-lo por um "analgésico (como paracetamol e dipirona), e não por um antiinflamatório", observou.

Para o toxicologista, essa classe de remédios tem outros efeitos colaterais ainda mais graves do que o mostrado pelo estudo de Oxford e Roma. "O que é importante lembrar --e que não foi citado nesse trabalho-- é que com todos os antiinflamatórios, em especial os tradicionais, como o ibuprofeno e o diclofenac, o risco de sangramento intestinal é muito maior."

Estatina

O toxicologista também fez um alerta sobre o uso de estatinas, remédios para reduzir o colesterol e que podem dar problemas musculares. O perigo, neste caso, depende mais do perfil genético do paciente do que da dose em si, ensinou Wong.

"Se a pessoa tomar e tiver dor muscular, câimbra etc, deve procurar o médico imediatamente para que sejam feitos exames laboratoriais que possam indicar alguma inflamação, lesão", recomendou. "Mas, felizmente, já estão chegando ao mercado alguns medicamentos novos para colesterol que não têm o perfil de lesão muscular."

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