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07/06/2006 - 20h25
Tristeza não dá câncer, mas pode fazê-lo crescer mais rápido, diz oncologista

Veja o programa "Consulta Médica" em vídeo

Da Redação

"Tristezas e mágoas podem provocar câncer?", perguntou uma internauta no programa "Consulta Médica" desta quarta-feira. O oncologista Riad Younes, do Hospital do Câncer, respondeu que não, mas fez uma observação: "Sabemos que tristeza e mágoas diminuem um pouco a defesa [do organismo] e, em quem já tem células cancerosas, elas tendem a crescer mais rápido, ficam mais livres para crescer."

O médico contou as novidades apresentadas no congresso mais importante do mundo em oncologia, encerrado ontem, nos Estados Unidos. Destacou avanços importantes no tratamento do câncer de mama, pulmão e tumores de cabeça e pescoço, mas poucas vezes usou a palavra 'cura'. Ele explicou os motivos: "Em qualquer câncer, hoje em dia, a oncologia tem dificuldade de falar em cura porque isso significa que a pessoa nunca mais vai ter um problema semelhante. Evitamos essa palavra porque pode dar falsa idéia ao doente e fazê-lo até relaxar nos cuidados."

Bate-papo

Respondendo às dúvidas dos internautas, o oncologista falou também sobre câncer de mama em homens, por que a maioria dos tumores inicialmente não dá sintomas e, na última questão, opinou sobre o uso de medicamentos genéricos. Acompanhe as perguntas e respostas do bate-papo.


(04:12:15) aninha fala para Riad Younes: o câncer pode ser provocado por mágoas, tristezas?

(04:26:13) Riad Younes: aninha, é muito pouco provável, senão o povo brasileiro estaria cheio de câncer... Tristeza e mágoas não causam câncer. Sabemos que diminuem um pouco a defesa e, em quem já tem células cancerosas, elas tendem a crescer mais rápido, ficam mais livres para crescer.


(04:00:04) paty fala para Riad Younes: Quais os sintomas do câncer no útero?

(04:08:10) Riad Younes: paty, normalmente, são muito poucos os sintomas. Pode dar sangramento fora de época, irregularidade menstrual, dores, dificuldade para urinar, urgência urinária--vontade de urinar várias vezes. A sensação como se fosse uma gravidez, basicamente... A maioria dos cânceres é assintomática porque demora muito para crescer. A população acha que o câncer é explosivo. Feito o diagnóstico, não há urgência, não é como levar um tiro. Às vezes o câncer leva cinco, oito anos para atingir um centímetro, que é uma coisa precoce, muito pequena. Então, se alguém teve diagnóstico de câncer, calma! Vá devagar com seu médico. Não é para relaxar, mas não é um tiro...


(03:54:36) leonardo fala para Riad Younes: Quais os sintomas do câncer de próstata? Ele pode ocorrer em homens na faixa dos 33 anos?

(04:01:19) Riad Younes: leonardo, é absurdamente incomum em pessoas com 33 anos, mas acontece, sobretudo naqueles em cuja família alguém teve câncer de próstata precocemente. Geralmente não há sintoma. Quando há, em geral, o câncer já avançou um pouco. Aí pode dar um pouco de dor, certa dificuldade para urinar... Em geral, não tem muito sintoma até ficar muito grande.


(04:11:56) ANTONIO CARLOS fala para Riad Younes: O CÂNCER DE MAMA EM HOMENS TEM A MESMA DIMENSÃO QUE NA MULHER?

(04:24:08) Riad Younes: ANTONIO CARLOS, pode ter a mesma gravidade e, em alguns casos, ser até mais grave. É um câncer incomum no homem, mas deve ser visto com a mesma atenção e gravidade que na mulher.


(03:37:42) Osvaldo fala para Riad Younes: Minha esposa tem 50 anos. Tem nódulos na tiróide com carcinoma. O que é isto? Precisa retirar toda tiróide ou parte? Poderá levar uma vida normal?

(03:55:07) Riad Younes: Osvaldo, câncer de tireóide é um dos mais tranqüilos de ser tratado. A indicação atual é a retirada da tireóide como um todo. Assim ela nunca mais poderá funcionar: é uma tireóide doente, que produz câncer. Se ela terá vida normal? Sim, desde que não tenha complicação da cirurgia. Ela terá de tomar hormônios da tireóide, a falta [dessa glândula] será imperceptível com os medicamentos que temos hoje e ela levará uma vida absolutamente normal, não vai ter mudança nenhuma, não engorda, não emagrece, não acontece nada.


(03:37:29) Lili fala para Riad Younes: Dr Riad, gostaria de saber se existe algum exame que dê informação precisa, haja visto que eu tive um câncer de mama em 98 e só foi descoberto depois que foi feita a biópsia do tumor. Fiquei muito chateada porque todos os exames, inclusive punção, foram feitos e nada revelava que era maligno. Hoje faço acompanhamento c/Dr. Henrique Saltz.

(03:50:48) Riad Younes: Lili, ainda hoje é praticamente impossível fazer um diagnóstico preciso sobre se é câncer ou não, e de que tipo (ou mesmo subtipo) de câncer, sem tirar um pedacinho, nem que seja um fragmento pequeno desse tumor. A biópsia ainda é o único método que admitimos ser para diagnóstico definitivo. O que foi feito na sra. em 1998, 99, continua sendo válido hoje. Mesmo sendo um nódulo pequeno. Se esta foi a sua pergunta, nós ainda não dispensamos a biópsia.


(03:35:17) julia fala para Riad Younes: Dr. Younes, meu pai tem 70 anos e é portador de adenocarcinoma de corpo de estômago abrangendo o cardia. Ele fez uma cirurgia, na qual foi possível apenas realizar a ressecção de linfonodos da grande curvatura e uma jejunostomia, porque a lesão tumoral já estava aderida ao pâncreas. No fígado, há também lesões sugestivas de metástases. Apesar do estágio avançado, ele consegue se alimentar e não tem outros sintomas, além de má digestão, emagrecimento e falta de apetite. Gostaria de saber qual é a sobrevida estimada e o tratamento mais indicado?

(03:49:29) Riad Younes: julia, infelizmente, esse senhor tem um tumor avançado, já ultrapassou o estômago, invadiu órgãos do lado, como o pâncreas, e se espalhou, pelo sangue, para o fígado. Se chegou até lá, pode eventualmente estar em qualquer outro lugar do corpo. Essa é uma doença ruim. Hoje em dia o tratamento dela não é muito agressivo localmente, a menos que a pessoa não possa engolir, não passe a comida.

O tratamento baseia-se em quimioterapia, que tende a fazer o tumor diminuir de tamanho e assim controlar a doença. Com esse tumor, a resposta à quimioterapia não costuma ser das melhores, mas pode ser tentada. Se ele responder bem, a chance de prolongar a sobrevida dele aumenta um pouco. Hoje em dia, se pegarmos cem pessoas como ele, metade delas, infelizmente, vão falecer dentro de seis a oito meses. Com boa resposta à quimioterapia, perderemos essa primeira metade em um ano, um ano e dois meses. Então, pode-se prolongar um pouquinho mais, mas, infelizmente, é uma doença com prognóstico não muito bom no longo prazo.


(03:37:36) bia pergunta para Riad Younes: Eu estou tratando um câncer de mama pela segunda vez. Após seis anos, o câncer voltou na mesma mama. Agora faço o tratamento com Herceptin, a cada três semanas, por um ano. Existe alguma novidade?

(03:52:43) Riad Younes: bia, a novidade é exatamente este medicamento que a sra. está usando, que é novo. Ele bloqueia as células tumorais que exibem receptores parecidos com esse remédio. Ele aumenta a chance de resposta de uma maneira impressionante. A sra. não precisa de nenhuma outra novidade, esta já é suficiente no momento.


(03:48:34) pipoca fala para Riad Younes: Amamentei por quatro anos meu filho. Depois disso não parei de sentir dores no seio esquerdo. Faço exame de toque, mas não encontro nódulos. O que devo fazer?

(03:56:20) Riad Younes: pipoca, o ideal é consultar um ginecologista ou mastologista. Se houver qualquer dúvida, é indicada a mamografia, que continua sendo o exame-padrão para detectar lesões suspeitas, não só câncer, nas mamas. Quem amamenta é mais protegida contra o câncer de mama do que quem não amamenta. Mas, assim mesmo, às vezes acontece... Provavelmente a dor está ligada a inflamações causadas pela amamentação; o câncer de mama raramente dói.


(03:50:44) uca pergunta para Riad Younes: Minha cunhada retirou a tireóide com 2 tumores (CA linfoide) e agora vai fazer radioterapia. Gostaria de saber mais sobre este tratamento, por que fazê-lo e como age no organismo.

(03:57:36) Riad Younes: uca, esse é um câncer muito raro na tireóide. Para ele, a radioterapia é mais interessante porque reduz claramente as chances de a doença voltar no pescoço. Como ela age no organismo? Ela nada mais é do que raios, parecidos os raios-X, só que com uma intensidade muito alta. O paciente deita-se embaixo de um aparelho que libera esses raios que "queimam" as células malignas, as que se dividem rápido. Podem queimar tecido normal também, mas hoje a radioterapia está sendo programada de forma a minimizar a ação no organismo normal e aumentar a chance de controlar a doença tumoral.


(03:50:49) denis fala para Riad Younes: O que são microcalcificações categoria 2?

(04:00:18) Riad Younes: denis, as calcificações são pontos esbranquiçados na mamografia. Elas são fáceis de ver. E foram classificadas entre as que têm "cara" de mais benignas, suspeitas para câncer e as intermediárias, que se aproximam mais do benigno ou do maligno. Só essa categorização não é suficiente para dar um diagnóstico. Vale avaliar a apalpação da mama, histórico da paciente e da família, a imagem do nódulo na mamografia. A categoria 2 é chance baixa de malignidade. Não é zero, mas é baixa.


(03:56:14) keké fala para Riad Younes: Dr., há alguma novidade quanto ao câncer de próstata ou ainda o velho toque retal é que define? E qual é a idade certa para se fazer o primeiro exame em pessoa sem histórico familiar?

(04:03:17) Riad Younes: keké, há milhões de novidades para o câncer de próstata. O toque retal ainda é fundamental. O PSA, que é o exame de sangue, é muito interessante, mas, sozinho, não vale. Deve ser associado ao toque retal ou ao ultra-som. A associação americana de câncer e a brasileira sugerem começar a fazer os exames aos 50 anos, em pessoas sem história familiar.


(03:58:20) nini fala para Riad Younes: Tive um mioma que se tornou câncer chamado miosarcoma. Tive que tirar o útero, porém no mesmo nada foi encontrado. Atualmente faço só acompanhamento por um oncologista. Terei que fazê-lo durante 5 anos. Faço também tomografia do pulmão de 3 em 3 meses, além de exame de prevenção também de 3 em 3 meses. Tenho muito medo, porém muita fé em Deus de que essa doença não reapareça. Gostaria, se possível, de saber se o risco é muito alto de tê-la novamente.

(04:05:37) Riad Younes: nini, o risco existe, mas não é tão alto assim. Trata-se de um tumor raro. Pode ocorrer em útero que tem mioma, mas é muito, muito incomum um mioma se transformar num miosarcoma. O mais comum é uma célula do próprio útero se transformar em célula maligna e gerar o tumor. Ele é curável com cirurgia e, em boa parte das vezes, o controle é excelente no longo prazo. A chance de ele se espalhar existe, mas não é comum. Os procedimentos que a sra. faz são corretos, o pulmão é o local mais comum onde os sarcomas em geral se espalham. Há uma chance muito boa de estar curada, mas é preciso fazer o controle mesmo.


(03:58:26) Sumonteiro pergunta para Riad Younes: Lesões altas no estômago podem ser sinal de câncer?

(04:06:05) Riad Younes: Sumonteiro, podem. O estômago tem um revestimento interno, uma mucosa, que normalmente é lisa. Tem que fazer endoscopia e biópsia para ter certeza.


(04:00:18) Luiz pergunta para Riad Younes: O que seria Pneumonite Actinica? Ela pode ser uma conseqüência da radioterapia para câncer de mama? É um problema grave?

(04:09:43) Riad Younes: Luiz, na verdade, a pneumonite é uma inflamação do pulmão. Actinica quer dizer que é por raios. A única causa hoje em dia para pneumonite actínica é a radioterapia. Quando se faz radioterapia para a mama, parte desses raios atravessa o tórax e vai até o pulmão. E pode queimá-lo um pouquinho. A gravidade depende da extensão, em geral, não é grave, a radioterapia hoje é mais bem dirigida, queima muito pouco do pulmão. Em geral, aparece só na radiografia e o doente nem fica sabendo. Algumas vezes pode queimar uma parte importante do pulmão ou o paciente não tem muita reserva. Aí ele percebe, vai perder parte da função desse pulmão.


(04:03:41) boy fala para Riad Younes: Como se manifesta o câncer de garganta?

(04:10:19) Riad Younes: boy, a maioria absoluta dos casos acontece em fumantes crônicos. Pode dar mudança na voz, dor de garganta, tosse crônica, às vezes com saída de sangue. Não são necessariamente sintomas de câncer, mas sinais de alerta para tumores de garganta.


(04:08:01) slk fala para Riad Younes: Gostaria de saber se o tratamento realizado com radioterapia afeta também as células normais em volta do tumor e se há algum efeito colateral desse procedimento?

(04:12:00) Riad Younes: slk, sem dúvida, a radioterapia afeta as células ao lado do tumor. Não há como irradiar simplesmente no tumor, é preciso dar uma margem de segurança, é aí que acaba queimando tecido normal. Os efeitos colaterais dependem de onde esses raios estão passando. Se for uma irradiação ao lado da bexiga, pode dar sintomas como infecção urinária, inflamação... Se for perto do esôfago, pode dar dificuldade de engolir, e assim por diante...


(04:08:16) kiki pergunta para Riad Younes: Qual a sensibilidade de um pet scan? Se ele for negativo, posso ficar tranqüila que não há metástase em outros lugares?

(04:18:44) Riad Younes: kiki, não. O pet scan detecta áreas de alto metabolismo. O câncer é uma das doenças que têm alto metabolismo. Mas, infelizmente, o pet scan, como todos os outros exames, tem limites. O fato de ser negativo não significa que nunca vai haver célula tumoral em lugar nenhum. Ele só detecta coisas de um centímetro para cima. Serve como auxílio para os demais exames.


(04:08:43) balloo fala para Riad Younes: Dr., o que é displasia mamária? Pode virar câncer?

(04:18:44) Riad Younes: balloo, são alterações que não são normais na mama. É uma doença em que as glândulas mamárias começam a crescer "errado", digamos assim. Não é câncer e aumenta muito pouco o risco de câncer, a correlação não é direta. Tem que acompanhar, claro.


(04:09:01) sobrinha fala para Riad Younes: Minha tia teve um câncer de mama há 9 anos. Se recuperou bem. Agora está com um no pulmão que foi detectado tardiamente por negligencia dos médicos da perícia, que não pediam exames do pulmão. O nome do câncer agora é linfangite. Quero saber quais as chances dela. Ou melhor, quanto ela tem de sobrevida. Ela começou a quimio no dia 5 agora. Obrigada.

(04:21:09) Riad Younes: sobrinha, não sei se foi negligência mesmo. Para detectar a linfangite é necessário fazer exames muito sofisticados que em nenhum lugar do mundo se exige nove anos depois... Normalmente, depois de cinco anos, o mundo inteiro não exige fazer tomografia do pulmão numa pessoa que teve câncer e foi operada. O risco existe, mas é muito pequeno. O que se faz são exames rotineiros, mas a linfangite dificilmente seria detectável com exames rotineiros. E ela não é uma doença de detecção precoce. Então, possivelmente, não foi imperícia não pedir tomografia do pulmão nove anos depois. Quase ninguém pede.

Bem, a linfangite é uma doença grave, são células que se espalharam da mama para o pulmão. Se for este mesmo o diagnóstico, a quimioterapia é o tratamento padrão. A chance de controle é real. O quanto ela vai viver depende da resposta dela à quimioterapia. Se responder muito bem, a chance é muito boa de ela viver muitos anos. De novo, temos várias opções, ainda tem uma chance interessante de prolongar por muitos anos. O controle do câncer de mama hoje, mesmo espalhado, é muito bom.


(04:09:11) luka fala para Riad Younes: Por favor, um pai de uma amiga acaba de ser operado câncer de esôfago, só que não foi feito nenhuma biópsia antes, somente a endoscopia. Ele retirou o esôfago. Isso é normal?

(04:22:22) Riad Younes: luka, provavelmente na endoscopia eles devem ter visto que era um câncer de esôfago e, muito provavelmente, fizeram biópsia na endocospia, é pouco provável que não. Existem situações especiais, onde o esôfago está ocluído e a imagem que o médico ou o endoscopista tem cara de tumor. Sendo ou não maligno, vai ter de sair esse esôfago, não tem outra solução. Às vezes se opera sem uma doença prévia, mas é incomum. Em geral, vai com biópsia até para definir se vale a pena fazer quimio primeiro e depois operar etc...


(04:10:25) mimi fala para Riad Younes: Nasceu uma pinta na lateral da cabeça e ela está crescendo, pois sinto o relevo toda vez que vou lavar a cabeça. Pode ser algo?

(04:22:39) Riad Younes: mimi, sem dúvida, pode. Tem que ir ao dermatologista e, neste caso, sem demora.


(04:10:56) Joacir fala para Riad Younes: No começo de março de 2006 foi constatado na minha esposa adenocarcinoma metastático no pulmão esquerdo e alguns tumores na cabeça. Foi feita uma cirurgia na cabeça. No pulmão, nada foi feito até agora. Ela começou tratamento de radioterapia. No dia 19 de junho está marcada quimioterapia. Pergunto: ela não deveria fazer cirurgia no pulmão? Minha esposa tem 56 anos.

(04:23:50) Riad Younes: Joacir, não. A cirurgia no pulmão para doença que está espalhada não é o padrão. O padrão é realmente o que foi feito com ela: tratar o local mais grave, que é o cérebro. Está certo fazer a operação e a radioterapia. Agora vai fazer quimioterapia para o resto do corpo, não só o pulmão. O visível e o invisível serão tratados. O tratamento dela está absolutamente correto, dentro das normas mundiais.


(04:12:07) Leonardo/40 fala para Riad Younes: Minha mãe retirou um seio, agora apareceu um outro nódulo e o médico falou que pode não ser câncer pelo fato de o nódulo ser mole. O nódulo do câncer é diferente, mais duro. Está correto?

(04:24:52) Riad Younes: Leonardo/40, é mais comum o nódulo de câncer ser endurecido, mas nada impede que seja. Para definir, precisa da biópsia. Só colocar o dedo e dizer que não tem cara de câncer é arriscado. Ainda mais que ela já tirou um seio.


(04:12:47) claudenice fala para Riad Younes: Gostaria de saber sobre câncer no testículo... Meu irmão está com 28 anos, foi pai há seis meses e hoje está fazendo uma cirurgia. Quais as implicações?

(04:27:21) Riad Younes: claudenice, o câncer de testículos é dos mais curáveis e controláveis que temos hoje em dia. Depende do tipo, obviamente. Ele vai ser operado, será feita a biópsia e os tipos mais comuns são muito bem controlados com os tratamentos atuais. Muito provavelmente ele vai precisar de quimioterapia, dependendo do tipo. As implicações dependem do que ele for tomar, alguns quimioterápicos podem deixá-lo estéril, isso tem que ser discutido. E a há uma chance de a doença não ficar controlada, mas é raro.


(04:13:07) Carlos fala para Riad Younes: Qual sua opinião sobre a onda de medicamentos genéricos que vêm substituindo alguns quimioterápicos e com isso tem se verificado muitas reações alérgicas associadas. O sr. usa quimioterápicos originais ou genéricos?

(04:31:32) Riad Younes: Carlos, é uma pergunta interessante e não se aplica só aos quimioterápicos, mas a qualquer medicamento. A legislação brasileira exige controle de qualidade e de equivalência do fabricante do genérico. Ele tem que ter o mesmo efeito, o mesmo benefício do original. Nós precisamos confiar nesse controle de qualidade. Só que às vezes temos percebido reações diferentes nos similares e nos genéricos em relação ao original. Pode não ser só falta de qualidade. No genérico, não necessariamente todos os componentes são idênticos. O princípio ativo pode ser o mesmo, mas às vezes o diluente é algo diferente. Isso pode levar uma pessoa ou outra a ter reação alérgica ao medicamento.

A preferência é ter certeza da origem do medicamento. Na área de câncer, quando sabemos que o genérico tem efeitos abaixo do esperado, alguma coisa está errada. Quando isso acontece, espalha-se essa informação a todos os oncologistas do país, avisamos a Anvisa ou a própria indústria, que recolhe aquele lote e analisa. Erros existem nas indústrias normais, por que não nas genéricas? Temos que ficar atentos, ter controle de qualidade contínuo. Devemos exigir isso das nossas autoridades. A Anvisa é fundamental para a população, não pode ficar meses em greve, isso é um mau serviço para a sociedade, independente da reivindicação. Há que se repensar a possibilidade de greves em órgãos tão fundamentais como este. Tenho medo de falta de controle de genérico e não-genérico.


(04:34:16) Riad Younes: Obrigado a todos pelas perguntas e até uma próxima oportunidade!

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