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Atualidades


01/12/2004 - 00h00
Aids

Da Redação
Em São Paulo

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    Em 1º de dezembro de 2004 -Dia mundial de luta contra a Aids-, quase um terço dos portadores do HIV da América Latina vive no Brasil. Do total de 1,7 milhão de infectados pelo vírus na região, 600 mil estariam no país. As informações são do relatório anual da ONU (Organização das Nações Unidas), divulgado no final de novembro.

    Aparentemente alarmante, o número não indica que o Brasil tem a pior situação, já que o país possui quase 40% da população da região.

    "O Brasil tem realmente um terço dos portadores de Aids da América Latina, mas tem praticamente metade da população da região, o que significa que a nossa incidência relativa é baixa", disse Pedro Chequer, diretor do Programa Nacional de DTS/Aids. Segundo o diretor, dos cerca de 440 mil portadores de Aids em tratamento nos países em desenvolvimento, 150 mil estão no Brasil. "Isso também representa quase um terço".

    Segundo dados da Unaids, a América Latina tem cerca de 470 milhões de habitantes. Atualmente, o Brasil possui 177 milhões.

    O total de infectados no Brasil representa 0,34% da população, o que coloca o país numa posição intermediária em incidência da Aids. Em percentual, o Haiti é o país com maior prevalência de Aids na América Latina, com 280 mil pessoas infectadas pelo HIV, aproximadamente 5% da população. Logo depois vêm Honduras, com 2%, e Guatemala, com cerca de 1%. O Uruguai é o país que tem o menor percentual de contaminação da região, com 0,1%. A América Latina tem 0,43% da população com o vírus da Aids, segundo o relatório da Unaids -programa da ONU de combate à Aids.

    Para o coordenador da ONU no Brasil, Carlos Lopes, o percentual de incidência da doença estimado para o Brasil é baixo. Segundo ele, o fato de um país ter um número alto de portadores do vírus não significa que ele possui a pior situação em relação à Aids. "O que a ONU leva em consideração é a resposta obtida pelos programas de combate à doença e a qualidade de vida dos portadores do vírus. Nesse contexto, o Brasil é o país com os melhores resultados da América Latina e dos países em desenvolvimento", disse Lopes.

    O documento divulgado pela ONU, que pode ser visto no site da Unaids, não apresenta nenhum ranking sobre a doença no mundo. "Não se pode classificar a desgraça", justificou o coordenador da ONU. O relatório abrange dados de 180 países e aponta o programa anti-Aids brasileiro como o melhor entre as nações em desenvolvimento.

    Variações
    A epidemia, segundo o relatório da ONU, estende-se por todas as regiões do Brasil, mas mostra algumas variações.

    As cidades de Porto Alegre e São Paulo mereceram destaque no relatório da Unaids. "Na capital do Rio Grande do Sul, 64% dos usuários de drogas injetáveis têm HIV, e em São Paulo, o número de prostitutas portadoras da doença cresceu de 7% para 18% em apenas um ano", disse Carlos Lopes.

    O documento indica que, no início, a Aids afetou principalmente a homens que tinham relações sexuais com outros homens e também a usuários de drogas injetáveis, mas agora a epidemia tornou-se mais heterogênea. "A transmissão heterossexual é responsável atualmente por uma proporção crescente das infecções pelo HIV, e as mulheres são cada vez mais afetadas", revela o relatório.

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