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12/08/2002 - 07h03

Especial: Desafio tecnológico é beneficiar todos os setores sociais

Rodrigo Amaral

Analistas dizem que as tecnologias de informação estão eliminando as fronteiras entre os países e possibilitando o contato entre pessoas que vivem em diversas partes do mundo. O desafio porém é como fazer com que esse maior contato traga benefícios reais para as vidas das pessoas, principalmente para os menos privilegiados.

Alguns países, como a Índia, já estão colhendo alguns frutos de uma inteligente utilização das novas tecnologias de informação (clique aqui para saber mais). Mas ainda há muito o que fazer para reduzir a distância entre os ricos e os pobres no que diz respeito a essas novidades.

Para muitos especialistas, o Estado tem um papel a desempenhar neste sentido. Um papel que fica entre o pesado envolvimento do Estado desenvolvimentista de 1950 a meados de 1980 na América Latina e o domínio total dos mercados defendido pelos liberais mais radicais nos últimos 20 anos.

"Não é o papel do Estado se preocupar apenas com investimentos nas áreas mais avançadas da ciência. Ele também deve proporcionar condições para que as novas tecnologias sejam aproveitadas com eficiência", afirma Caroline Wagner, analista de políticas públicas da Rand Corporation.

Ambiente e integração

Caroline Wagner lista três preocupações que, em sua opinião, devem orientar políticas de governo com fins de preparar um país para a nova economia baseada no conhecimento.

A primeira é garantir que os responsáveis pela produção de novas tecnologias encontrem as "matérias-primas" necessárias para realizar o seu trabalho.

Isso significa, por exemplo, que as empresas de tecnologia de ponta precisam de uma força de trabalho com alto nível de educação, ou que informações precisam circular livremente para que cientistas e pessoas comuns tenham acesso a elas quando precisam.

A segunda é proporcionar um ambiente propício para a inovação.

Empresas, segundo esse raciocínio, precisam encontrar condições que as incentivem a desenvolver novos produtos e serviços, e isso inclui a garantia de direitos de propriedade intelectual e a implementação de padrões que regulem a geração de tecnologia sem coibir a criatividade dos cientistas.

Enfim, o Estado pode criar incentivos para que os diversos envolvidos na geração de tecnologia trabalhem juntos, compartilhando conhecimentos e recursos que podem ser úteis para todos.

Por exemplo, aproximando empresas e universidades, ou criando programas para que estudantes e cientistas aumentem seus contatos com instituições de outros países, ou ainda motivando os jovens a abraçarem carreiras nas áreas técnicas e científicas.

"Não adianta só concentrar o investimento em áreas como nanotecnologia, ou especular se deveria ser colocado mais dinheiro em bioquímica e outros setores que estão em voga no momento", afirma Caroline Wagner.

Envolvimento estatal

Em um estudo lançado recentemente, o economista Vernon W. Ruttan, especialista em estratégias de desenvolvimento da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, afirma que, a partir dos anos 1980, criou-se uma imagem de que investimentos públicos em ciência e tecnologia eram sinônimos de desperdício. (clique aqui para ler uma entrevista com Vernon Ruttan).

Mas ele alerta para os riscos de adotar uma postura contrária ao envolvimento do Estado nessas áreas. "O governo desempenhou um importante papel no desenvolvimento e difusão de tecnologia em praticamente todas as indústrias americanas que se tornaram competitivas globalmente", afirma Ruttan, citando entre os exemplos a área química e a de produção de armamentos.

Mesmo o setor de informática, que nos anos 1990 se tornou um símbolo do vigor da ação do capital privado no incentivo à tecnologia, se beneficiou da ação governamental para receber seus primeiros impulsos. "Os setores de computadores, supercondutores e softwares se beneficiaram intensamente dos programas militares e espacial", afirma Ruttan.

Ele diz que uma lição que pode ser aprendida com o caso americano é o fato de que o sistema de incentivo à tecnologia é bastante descentralizado, com agências do governo, entidades filantrópicas e indústrias repartindo a responsabilidade pelo fomento à pesquisa.

Tais instituições trabalham com muito contato umas com as outras, e o resultado, segundo Ruttan, é que ''esse sistema descentralizado proporcionou aos Estados Unidos uma maior capacidade de se adaptar a novas prioridades nacionais e globais''.

Clique aqui para acessar a série As Eleições e a Globalização.

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