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12/08/2002 - 07h15

Especial: Nova economia revê relação entre setores público e privado

Rodrigo Amaral

É inegável que desenvolver qualquer tipo de nova tecnologia exige investimento - e muitas vezes de proporções consideráveis.

Um antigo modelo latino-americano previa que o incentivo deveria ser proporcionado pelo Estado, por meio de financiamentos à pesquisa ou proteção e subsídios a setores considerados estratégicos da indústria nacional (como no caso da Lei de Informática no Brasil).

Os entusiastas mais radicais do livre mercado acreditam que os agentes econômicos é que devem ser liberados para desenvolver as tecnologias para as quais existem aplicações econômicas, sendo atrapalhados o menos possível pelo Estado.

Estimativas mostram que hoje o setor privado responde por algo entre 62% e 71% da pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias nos Estados Unidos e na Europa, enquanto o Estado realiza algo entre 10% e 16%, e as universidades e outras instituições do tipo, de 16% a 23%. Mas alguns especialistas vêem uma realidade mais complexa, em que não é possível definir de forma clara quem é o responsável pelo quê.

Integração

Para o holandês Löet Leydesdorff, especialista em políticas de promoção de ciência e tecnologia da Universidade de Amsterdã (Holanda), nos países mais avançados é difícil identificar onde começa a responsabilidade do setor privado, das universidades ou de órgãos do governo no que diz respeito à promoção e à descoberta de novas tecnologias.

"Os governos podem desempenhar o papel da indústria apoiando o desenvolvimento de novas tecnologias por meio de programas de financiamento e de mudanças legais", afirma Leydesdorff.

"As indústrias podem desempenhar o papel das universidades desenvolvendo treinamento e pesquisas, às vezes com a mesma qualidade."

O segredo, na opinião do especialista holandês, é afinar a colaboração entre os diversos envolvidos.

"Em uma economia baseada no conhecimento, os arranjos institucionais entre esses atores pode se tornar uma condição necessária não apenas para a produção do conhecimento, mas também para a preservação das riquezas por ele geradas."

Fórmula própria

É claro que, ao fim e ao cabo, cada país acaba tendo que chegar às suas próprias estratégias de desenvolvimento científico e tecnológico, podendo buscar inspiração em variados tipos de experiências.

Nos Estados Unidos, o boom da internet nos anos 1990 foi alimentado especialmente pelo capital privado, ainda que o governo forneça vários incentivos à pesquisa em universidades e outras instituições.

Na Grã-Bretanha, as prioridades na área de ciência e tecnologia vêm sendo definidas desde 1993 por painéis de especialistas organizados pelo governo - mas que busca suas inspirações nas necessidades do mercado. Esses especialistas sugerem que áreas devem ser incentivadas por políticas oficiais.

Já em países do Extremo Oriente, como a Coréia do Sul, o notável desenvolvimento do pós-Segunda Guerra Mundial foi impulsionado pela ação do Estado, que selecionou setores considerados estratégicos para receber incentivos a fim de ganhar competitividade econômica e tecnológica.

No caso de um exemplo latino-americano que vem dando bons resultados, na Costa Rica, papel semelhante vem sendo desempenhado por um grupo privado sem fins lucrativos.

O Conselho Costarriquenho de Investimento e Desenvolvimento (Cinde, sigla do nome em inglês), vem conseguindo atrair empresas estrangeiras para o país.

Mas vale lembrar que a Costa Rica se beneficia de uma longa história de investimentos públicos na educação. Como resultado, agora é reconhecida pelo Fórum Econômico Mundial como o segundo país mais competitivo da América Latina, atrás apenas do Chile.

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