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13/08/2002 - 06h22

Especial: Bem utilizada, ciência pode reduzir desigualdade

Rodrigo Amaral

Em um país com tantos problemas sociais como o Brasil, investir no desenvolvimento de tecnologias de ponta pode parecer um luxo incapaz de trazer benefícios diretos para as pessoas.

Mas é cada vez mais forte internacionalmente a idéia de que a tecnologia, se usada corretamente, pode ser uma importante arma para impulsionar o crescimento econômico e combater as desigualdades sociais.

É o que diz, por exemplo, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que recentemente lançou um estudo sobre o impacto das novas tecnologias na melhoria da vida das pessoas.

"Nem todo país precisa desenvolver tecnologias de última geração, mas todos necessitam ter a capacidade de identificar os benefícios que a tecnologia tem potencial para proporcionar e adaptar os novos conhecimentos às suas necessidades e limitações", afirma o Pnud.

Prioridades

O Pnud vê a tecnologia como um importante instrumento para combater a pobreza e as desigualdades sociais.

Analistas também consideram que, ainda que pareçam vultosos para um país em desenvolvimento, investimentos tecnológicos podem trazer benefícios para toda a população, e não apenas para os mais privilegiados.

Uma certa resistência por parte de setores da sociedade à destinação de recursos para o trabalho de cientistas se deve, de acordo com essa linha de pensamento, a prioridades equivocadas escolhidas no passado.

"Alguns desses países priorizaram áreas que dão prestígio, como física nuclear e tecnologia espacial, e eu acho que isso foi um erro", afirma Caroline Wagner, analista de políticas de ciência e tecnologia da Rand Corporation.

"O que esses países precisam fazer é olhar para os seus problemas e adotar estratégias de ciência e tecnologia que busquem soluções para os seus problemas."

Custos

Defensores dos benefícios da tecnologia no combate à pobreza citam como exemplo o fato de que os custos de meios como a internet estão caindo de forma acelerada, aumento a possibilidade de que mesmo as pessoas menos privilegiadas consigam ter acesso a eles.

Mas o documento do Pnud também lembra que o investimento em novas tecnologias só pode dar bons resultados se for acompanhado de campanhas educativas para qualificar as pessoas a fazerem o melhor uso das novidades tecnológicas.

Isso vale não apenas para mexer em um computador, mas também para outras tecnologias que parecem bem menos complexas, mas que podem ter resultados bastante desejáveis.

Na Índia e na Tailândia, por exemplo, há experiências que mostram que o simples acesso à educação por pessoas que trabalham no setor agrícola se traduz em significativos ganhos em eficiência no uso de fertilizantes, irrigação e sementes que aumentam a produtividade das plantações.

Por outro lado, se não for promovido um acesso mais eqüânime às novidades tecnológicas, as distorsões sociais tendem a piorar.

Essa é a preocupação daqueles que se preocupam com o fenômeno que ficou conhecido pela expressão em inglês digital divide - o fato de que em alguns setores da sociedade as pessoas têm mais condições de se beneficiar dos avanços tecnológicos do que os mais pobres.

Ranking

"A tecnologia é como a educação - ela habilita as pessoas a abandonarem uma condição de pobreza", diz o Pnud.

No ano passado, a agência da ONU elaborou um índice que mede a integração das novas tecnologias pelos países no dia-a-dia das pessoas.

O Brasil ficou em 43º lugar na classificação, atrás de outros países latino-americanos como a Argentina, o Chile, o México e o Uruguai.

Na avaliação do ranking, isso significa que o país tem importantes pólos de desenvolvimento tecnológico, mas a difusão dos benefícios da tecnologia é lenta e desigual.

Em primeiro lugar ficou a Finlândia, seguida pelos Estados Unidos.


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