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13/08/2002 - 06h16

Especial: Irlanda cria empregos atraindo múltis de alta tecnologia

Rodrigo Amaral

Uma das grandes histórias de sucesso da nova economia é a da Irlanda, que no começo dos anos 1980 era um dos países mais atrasados da União Européia, mas hoje é um pólo de produção de equipamentos de informática. O sucesso foi conseguido na base da instalação de empresas multinacionais, que entraram no país atraídas por incentivos fiscais e a qualidade e baixo custo da mão-de-obra.

O economista Paul Tollin, que é irlandês, mas trabalha hoje no Boston College, nos Estados Unidos, adverte que a estratégia irlandesa - de industrializar por meio da atração de empresas estrangeiras - é uma "faca de dois gumes".

"Se isso se baseia nos baixos custos de produção, sempre vai aparecer alguém capaz de oferecer condições mais vantajosas para as empresas, que podem simplesmente fechar as fábricas e ir embora", diz Tollin.

A solução, segundo ele, é elaborar estratégias que visem a criação de valores que vão além da simples montagem dos produtos. No caso irlandês, o que se vem tentando - com algum sucesso - é também atrair as áreas de pesquisas e desenvolvimento de novas tecnologias das empresas.

Emprego

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A experiência da Irlanda vem sendo comparada com a dos Tigres Asiáticos.

Mas especialistas dizem que, diferentemente da Coréia do Sul ou do Japão, o que os irlandeses tinham em mente a princípio não era desenvolver uma indústria nacional de alta tecnologia, mas simplesmente criar empregos.

O sucesso nesse caso é evidente. Estima-se, por exemplo, que, entre 1991 e 1996, o número de trabalhadores empregados nas áreas de fabricação de softwares e computadores e complementos passou de 15.200 para 33.500.

Esse aumento da atividade econômica causou efeitos positivos por toda a economia do país.

"A alta taxa de desemprego sempre foi um dos principais problemas irlandeses", afirma Tollin. "No começo dos anos 90, ela estava na casa dos dois dígitos; atualmente fica por volta de 4%."

Multinacionais

Tollin é o co-autor de um estudo que procura tirar do caso irlandês lições para os países em desenvolvimento que também querem faturar com a tecnologia de informação.

O documento afirma que o segredo do sucesso da indústria informática irlandesa está no fato de que o país conseguiu atrair nos anos 1980 mais de 115 empresas multinacionais, entre as quais pesos-pesados como a IBM, a Gateway , a Lotus, a Oracle e a Dell.

Muitas dessas empresas entraram no país unicamente com o objetivo de produzir artigos para vender em outros lugares, principalmente na União Européia.

Estima-se que 40% de todos os pacotes de programas vendidos no bloco sejam made in Ireland, incluindo 60% dos softwares empresariais.

Para a Microsoft, a importância de sua filial irlandesa é tamanha que ela já correspondia em 1995 a um terço do faturamento global da empresa - algo como US$ 2 bilhões.

Mas os incentivos às empresas só deram tantos frutos porque o governo também investiu pesadamente em educação para preparar a força de trabalho para o mundo que se avizinha - por exemplo, fomentando o ensino de línguas estrangeiras.

Outras indústrias acabaram se beneficiando com isso - como a área de telemarketing, que hoje atende empresas de diversos países.

Nova fase

Hoje em dia, porém, algumas das vantagens oferecidas pela Irlanda nos anos 1980 e 1990 estão se mostrando menos evidentes - caso por exemplo dos custos de mão-de-obra, já que os salários vêm aumentando no país.

O desafio, segundo Tollin, agora é evitar que as multinacionais que se instalaram lá se mudem para outros lugares mais baratos que também contam com trabalhadores qualificados, como a China, a Mongólia ou o Vietnã.

"Uma das lições do caso irlandês é que uma estratégia de desenvolvimento com base na atração de empresas estrangeiras vai funcionar por algum tempo, mas é preciso ter em mente que em algum momento outro país vai ser capaz de oferecer o que você oferece mais barato e com mais qualidade", diz Tollin.

"As empresas podem fechar uma fábrica e se mudar para outro lugar com bastante rapidez e poucos custos."

"O que se pode fazer é criar oportunidades para as empresas agregarem valor a seus produtos. Por exemplo, incentivando a realização de pesquisas tecnológicas no país." Isso é algo que a Irlanda, por exemplo, já está procurando fazer.

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