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13/12/2005 - 09h32

Brasil 'ganharia até US$ 10 bi por ano' com acordo na OMC

Diego Toledo
de São Paulo
Um estudo do Banco Mundial prevê que o Brasil poderia ganhar US$ 10 bilhões por ano até 2015, se os países da OMC (Organização Mundial do Comércio) chegassem a um acordo para eliminar subsídios agrícolas e outras barreiras comerciais.

"O Brasil deve ser um dos maiores ganhadores entre os países em desenvolvimento", afirma o economista Kym Anderson, um dos autores do estudo. "O motivo, é claro, é a liberalização na agricultura, que seria a maior fonte de ganhos potenciais para o Brasil."

De acordo com os cálculos de Anderson, o valor da produção agrícola do Brasil aumentaria 34% e a renda agrícola do país cresceria 46%.

No entanto, diante das incertezas que cercam a reunião ministerial da OMC em Hong Kong, no próximo dia 13, a perspectiva de um acordo para a liberalização total do comércio mundial ainda é algo muito distante.

Em um cenário mais realista, com um corte global de 50% nas tarifas e nos subsídios à exportação e uma redução de 50% no apoio doméstico à agricultura nos países ricos, a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) calcula que o Brasil registraria um ganho de US$ 1,7 bilhão.

Exportações e renda
Além das projeções sobre os ganhos do país e o aumento da produção e da renda agrícola, o Banco Mundial estima que as exportações brasileiras teriam um crescimento real de 28,5% até 2015.

Já o relatório da OCDE aponta ainda que a renda real cresceria entre 2% e 4% para os produtores agrícolas do Brasil, cerca de 3% para os trabalhadores rurais e aproximadamente 1% para a população urbana.

A organização afirma que os setores da agricultura brasileira que mais se beneficiariam com um acordo seriam os produtores de carnes, soja, milho, café, algodão, tabaco e alimentos processados.

"Produtos que o Brasil exporta tendem a ganhar", afirma André Nassar, diretor-executivo do Icone (Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais).

"A indústria que processa e exporta tem um ganho imediato", acrescenta. "O ganho é para todo o agribusiness exportador."

Agricultura x indústria
Apesar das perspectivas positivas para a agricultura brasileira, o economista Joaquim Bento Ferreira Filho, professor da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), afirma que parte dos ganhos agrícolas do Brasil acabam compensados por perdas no setor industrial.

"Em um processo global, você tem ganhadores e perdedores", diz Bento. "Você tem setores que ganham como a agricultura, mas você tem setores que perdem como os setores industriais porque a estrutura tarifária brasileira protege mais os setores industriais."

Na opinião de André Nassar, no entanto, o Brasil só reduzirá suas tarifas para a importação de produtos industriais se ficar claro que um acordo na OMC vai garantir a ampliação do acesso a mercados de países ricos para os produtos agrícolas brasileiros.

"Se você tiver um acordo agrícola ruim, você não é nem louco de abrir sua indústria", diz o diretor do Icone. "Agora, se a gente tiver um bom acordo agrícola, um esforço na indústria é razoável de ser feito."

Nassar afirma que qualquer acordo fechado na OMC precisará de um período de implementação e, no decorrer dos prazos estipulados, o Brasil teria tempo para tentar ajustar os seus problemas de competitividade no setor industrial.

Os principais problemas internos que hoje atrapalham a indústria brasileira, na opinião de Nassar, são os juros altos, as dificuldades logísticas e as elevadas cargas tributária e trabalhista.

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