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28/02/2006 - 05h17

Depois do Katrina, Nova Orleans tem carnaval menor

da BBC, em Londres
Quase seis meses depois que o furacão Katrina devastou a cidade, deixando 1,3 mil mortos e 3 mil desaparecidos, Nova Orleans comemorou na segunda-feira o Mardi Gras, Terça-Feira Gorda em francês, o carnaval da cidade.

A comemoração deste ano foi bem menor e durou apenas oito dias - normalmente o calendário oficial contava 12 dias, mas as festas duravam mais de um mês -, mas representa uma vitória para os moradores que já voltaram à cidade e estão reconstruindo as casas atingidas pelo furacão.

Os desfiles começaram no fim de semana passado, mas os principais acontecem nesta terça-feira, quando dez blocos vão desfilar os carros alegóricos e fantasias pelas ruas de Nova Orleans e das cidades vizinhas.



Como o carnaval brasileiro, o de Nova Orleans marca o fim do período antes da Quaresma, onde na tradição cristã as pessoas devem jejuar e se privar dos excessos. Os dois carnavais são bastante parecidos, com carros alegórios e pessoas fantasiadas.

A diferença é que o Nova Orleans é de graça, com os blocos passando pelas ruas da cidade. Os integrantes dos blocos jogam colares de contas de plástico para o público. Em lugares como a Bourbon Street, a regra é mostrar os seios ou outra parte do corpo para receber um colar.

A decisão de manter o Mardi Gras num momento em que centenas de corpos ainda estão sobre os escombros das casas e bairros inteiros estão abandonados, foi cercada de polêmica.

Parte dos moradores considera a festa importante para integrar a comunidade e também para que pessoas de outras regiões do país vejam a extensão do estrago causado pela tempestade ou ainda pelos dólares que podem levar para a cidade.

O turismo era responsável por uma receita anual de US$ 5,5 bilhões, e os milhares de hotéis, bares e restaurantes empregavam dezenas de milhares de pessoas na cidade antes do furacão.

Outros dizem que o governo local está gastando recursos preciosos, num momento em que a Prefeitura está com as finanças quebradas e não tem dinheiro nem para garantir a normalização da coleta de lixo e a reabertura de todas as escolas e hospitais. A festa deste ano vai custar US$ 3 milhões, e com a ausência de grandes patrocinadores e um número menor de turistas, não se sabe se os custos serão cobertos.

Desde que o evento começou a ser comemorado na cidade em 1857, o Mardi Gras foi cancelado apenas 13 vezes, durante a guerra civil americana, a primeira e segunda guerra mundiais, a guerra da Coréia e uma greve dos policiais, em 1979.

Bairros abandonados

Dos 480 mil que viviam na cidade antes do furacão, menos da metade voltou a Nova Orleans, que teve 80% da área inundada e ainda tem bairros inteiros totalmente abandonados.

A parte da cidade que mais rapidamente voltou ao normal é o Bairro Francês, justamente a zona turística, onde fica a famosa Bourbon Street. O bairro não chegou a ser inundado e os estragos foram causados principalmente pelos fortes ventos.

Restaurantes, bares e hotéis foram reabrindo aos poucos, à medida em que o fornecimento de água e energia elétrica voltou ao normal. De acordo com o escritório de turismo, mais de mil restaurantes já voltaram a funcionar. A grande dificuldade, de acordo com os proprietários e gerentes, é conseguir funcionários, já que boa parte das residências ainda não foi recuperada.

Nos anos anteriores, o carnaval de Nova Orleans atraía mais de um milhão de pessoas. As autoridades de turismo ainda não têm dados oficiais, mas estimam que este ano a audiência deve ser reduzida a menos da metade. Ainda assim, os 27 mil quartos de hotel disponíveis estavam com ocupação total.

A brasileira Marcia Mendes, de João Pessoa, organizou neste domingo uma banda brasileira como parte de um dos desfiles. Ela juntou brasileiros que foram para a cidade trabalhar nos empregos criados na reconstrução e desfilaram junto com uma banda de brasileiros de Nova York, que além de bateria de escola de samba inclui dançarinos de samba e axé.

"Nos juntamos para representar o Brasil no Mardi Gras deste ano, que é histórico", disse Marcia.

Ela está otimista com a perspectivas de reconstrução da cidade e acha que a recuperação pode ser muito mais rápida do que o previsto. "Estou aqui há dois meses e é impressionante como tudo mudou neste período", conta.

Além de Nova Orleans, o Mardi Gras também é comemorado em outras cidades na costa dos estados de Lousiana, Mississipi e Alabama, também atingidas pelos furacões Katrina e Rita, no ano passado.




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