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19/04/2006 - 18h26

EUA acusam norte-coreanos de falsificar dólares

da BBC, em Londres
Os Estados Unidos decidiram endurecer o combate a operações que o governo americano descreve como "atividades criminosas" da Coréia do Norte.

Agentes do serviço secreto americano estiveram em Seul em busca de pistas sobre as famosas "supernotas", cédulas de cem dólares produzidas por peritos e que, segundo o governo americano, são fabricadas pela Coréia do Norte.

Mais supernotas têm aparecido na Coréia do Sul com qualidade cada vez melhor. De acordo com um relatório do governo americano, cerca de US$ 45 milhões em notas falsas estão em circulação pelo mundo.

Neste mês, a polícia sul-coreana descobriu uma carga de cerca de 700 notas falsas de cem dólares.

"Elas são 95% similares às autênticas", afirma Suh Tae-Suk, o maior especialista sul-coreano em falsificação. "Mas há uma pequena diferença na textura do papel e na manufatura dos produtos químicos que permite aos peritos descobri-las."

A maioria das notas foi trazida da China. Organizações criminosas estariam distribuindo as notas pela Rússia e Europa.

Ato Patriota

Em setembro do ano passado, os Estados Unidos identificaram o banco Delta Asia, que fica no território chinês de Macau, como uma instituição "primária de lavagem de dinheiro", de acordo com o chamado Ato Patriota.

O Ato Patriota é uma lei americana que visa combater o terrorismo dentro e fora dos Estados Unidos, bem como qualquer outra atividade relacionada.

A medida teve efeito imediato e diversos bancos suspenderam os negócios com a Coréia do Norte.

"A Coréia do Norte precisa entender que, enquanto tentar produzir armas nucleares, terá uma rigorosa fiscalização nossa sobre as suas finanças", disse o subsecretário de Estado americano, Christopher Hill, em uma visita a Seul.

O governo de Pyongyang nega todas as acusações e se retirou das negociações sobre armas nucleares em retaliação às sanções econômicas americanas.

Embaixadas 'falidas'

Alguns ex-membros do governo norte-coreano endossam as acusações dos Estados Unidos de lavagem de dinheiro e falsificação e dizem que, sem o dinheiro dessas atividades, o grupo de Kim Jong-Il sofrerá um forte baque na manutenção do poder.

Segundo um ex-diplomata norte-coreano, as embaixadas do país têm de levantar seus próprios recursos e os diplomatas precisam criar formas de levantar dinheiro de todos os modos.

"Nos diziam até mesmo que precisávamos levantar uma quantidade de dinheiro anual para mandar a Pyongyang como prova de nossa lealdade ao regime", disse, sem se identificar, com medo de que sua família sofra represálias na Coréia do Norte.

"Eu mesmo tinha de levantar US$ 100 mil e mandar para um banco na China", acrescentou o ex-diplomata, que contou ainda ter recebido de seu superior um saco de dólares falsos para misturar com verdadeiros antes de usá-los em uma negociação comercial no Sudeste Asiático.

O ex-diplomata afirma também que pedia propinas nas negociações e que contrabandeava ouro e dinheiro "aos quilos" em malotes diplomáticos.

Escritório 39

No centro de muitas das negociações denunciadas está o Escritório 39, uma divisão que, segundo os ex-diplomatas, foi montada nos anos 1970 para levantar fundos para Kim Jong-Il.

"O Escritório 39 tem monopólio sobre várias coisas", diz Kim Dok-Hong, que trabalhou por 17 anos no escritório dos agentes do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores norte-coreano.

Kim encontrou a reportagem da BBC acompanhado de dois policiais que servem de guarda-costas. Ele precisa de proteção constante desde que deixou a Coréia do Norte em 1997.

"O Escritório 39 tem um monopólio no comércio de produtos agrícolas caros como ginseng vermelho e para fazer câmbio de moedas estrangeiras", afirma.

"Também controla a venda de drogas", acrescenta Kim. "O ópio produzido pelo país é transformado em heroína. E a outra função deles é a de distribuir as supernotas."

Pressão

A função do próprio Kim era a de "converter" as pessoas à filosofia ultra-nacionalista Juche.

Fundada pelo líder Kim Jong-Il, a filosofia justifica o regime norte-coreano em prol da criação de uma consciência coletiva.

Kim foi enviado para Pequim como diretor de uma companhia para levantar dinheiro para Jong-Il.

Ele chegou a criar um lucrativo esquema que permitia a sul-coreanos ricos arrumar encontros com parentes na Coréia do Norte.

"Fechar as contas bancárias é o caminho de derrubar Kim Jong-Il", afirma Kim.

Os Estados Unidos afirmam que estão tentando impor a lei e proteger a própria moeda, mas analistas acreditam que o governo americano encontrou também um eficiente instrumento para pressionar o regime norte-coreano.



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