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30/06/2006 - 04h28

Calderón aposta na continuidade para atrair eleitores

da BBC, em Londres
Em nome da estabilidade econômica e da tranquilidade dos mercados, o candidato presidencial Felipe Calderón, do conservador Partido Ação Nacional (PAN), convocou os mexicanos às urnas no próximo domingo, quando o futuro mandatário do país será eleito.

Calderón, que se autodenomina o “candidato do emprego&?8221; promete dar continuidade ao projeto do atual presidente Vicente Fox. E faz uma proposta arriscada.





Uma das marcas do atual governo foi o elevado número de mexicanos que deixaram o país nos últimos seis anos. Quatro milhões de mexicanos emigraram para os Estados Unidos em busca de emprego e melhores condições de vida.

Os índices econômicos do último ano tampouco foi alentador. Em 2005, a economia mexicana cresceu apenas 3% - superando apenas as economias de Brasil, Haiti e El Salvador.

Empregos

De acordo com dados oficiais, o governo Fox gerou 576.599 novos empregos. A demanda anual exige a criação de pelo menos 1,2 milhão de novos postos de trabalho de acordo com analistas.

Entre os trabalhadores economicamente ativos, cerca de 60% estão inseridos na economia informal, de acordo com o Instituto Nacional de Geografia, Estatística e Informática (INEGI).

Ainda assim, a fórmula que Calderón pretende implementar para gerar emprego dá continuidade ao projeto de liberalização da economia aprofundado durante o governo de Vicente Fox.

O candidato do PAN acredita que cortar impostos deverá atrair a inversão privada, o que, na sua avaliação, promoverá a geração de novos empregos, conforme explicou o deputado do PAN Juan Molinar.

&?8220;Vamos praticar impostos competitivos para os empresários. Controlar a inflação e apostar nas políticas de investimento&?8221;, explicou Molinar à BBC Brasil.

A estratégia de Calderón é justamente inversa à do seu principal rival, Andrés Manuel López Obrador. O candidato do PRD diz que acabará com os privilégios do setor privado.

Quem vai com Calderón?

Quem caminha pelas ruas da capital mexicana se dá conta de que o apoio aos candidatos presidenciais está segmentado pela classe social a que pertencem.

Os cartazes de apoio ao candidato Felipe Calderón estão concentrados nos setores mais nobres da cidade. Quanto mais periférico o bairro, menor é o apoio ao candidato do governo.

O candidato a deputado pelo PAN Jorge Segura, representante do partido no bairro Exército do Oriente, município Iztapalapa, periferia do Distrito Federal, responsabiliza o candidato rival pela falta de apoio a Calderón nos bairros populares.

&?8220;O PRD apela para o ressentimento das pessoas pobres quando diz que vai acabar com os privilégios dos ricos. Infelizmente quando as pessoas estão necessitadas, acabam comprando essas idéias&?8221;, comentou Segura, em frente à sede da campanha do PAN, a única em todo o bairro onde há propaganda política de Felipe Calderón.

Na avaliação de Ana Esther Ceceña, diretora do Laboratório Latino-Americano de Geopolítica, a explicação está em que a continuidade do governo do PAN favorece fundamentalmente a cúpula empresarial e não os setores populares.

&?8220;Os empresários foram os principais beneficiados durante o governo Fox. Essa é a base de apoio da candidatura de Calderón&?8221;, disse Ceceña à BBC Brasil.

Conservadores assustados

Além dos empresários, a classe média conservadora e os setores ligados à igreja católica também tendem a votar no candidato panista.

Para Ceceña, a classe média não foi diretamente beneficiada pelo atual governo. No entanto, a seu ver, o discurso de inclusão dos pobres à cena política incentivado por López Obrador assusta os setores mais conservadores.

&?8220;A classe média tem medo da presença das massas nas ruas no caso de um descontentamento popular. Preferam manter e defender os bons costumes. Apostam na capacidade do Estado em reprimir, diante da possibilidade de que as coisas saiam do caminho&?8221;, afirma.

Felipe Calderon afirma que pretende estabelecer uma política de &?8220;pulso firme&?8221; para combater a delinqüência e garantir segurança pública.

No que se refere à política exterior, a diretora do Laboratório Latino-Americano de Geopolítica afirma que se Calderón sair vitorioso, o México &?8220;continuará sendo a entrada dos Estados Unidos para a América Latina&?8221;.

&?8220;Fox foi bastante agressivo com a América Latina. Facilitou a penetração dos EUA em temas como a militarização nas fronteiras e o combate ao narcotráfico. Se Calderón ganhar, o México estará longe da política de integração impulsionada pelos demais países latino-americanos&?8221;, afirma Ana Esther Ceceña.



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