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29/07/2006 - 14h39
Israel nega trégüa de 72 horas pedida pela ONU

da BBC, em Londres

Israel disse que não vai aceitar uma trégua de 72 horas com a milícia xiita Hezbollah, como havia sido pedido na sexta-feira pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A ONU queria os três dias sem combates para levar ajuda humanitária e retirar feridos do Líbano.

Segundo Avi Pazner, porta-voz do governo israelense, não há necessidade para uma trégua, pois o Exército israelense já mantém um corredor aberto para a passagem de ajuda humanitária.

Ele disse que o Hezbollah é que estava criando problemas para a passagem dos medicamentos e alimentos para criar uma crise humanitária - e depois culpar Israel.

No entanto, fontes israelenses disseram à BBC que Israel pode aceitar parar os ataques assim que uma resolução da Organização das Nações Unidas for aprovada na semana que vem, mesmo antes de que qualquer força internacional seja enviada ao sul do Líbano.

Crianças indefesas

O coordenador de ajuda humanitária da ONU, Jan Egeland, disse que crianças, idosos e mulheres estão indefesos depois de mais de duas semanas de combate no sul do país, ao completar uma visita ao Líbano, Israel e Faixa de Gaza.

Para Egeland, os atuais corredores por onde passa a ajuda humanitária não são suficientes para atender as imensas necessidades dos atingidos pelo conflito,

Egeland afirmou que um terço das 600 pessoas mortas pelos ataques israelenses no Líbano são crianças.

“É uma coisa horrível. Há algo fundamentalmente errado com uma guerra onde morrem mais crianças do que homens armados”, disse Egeland.

O coordenador da ONU pediu que os dois lados cessassem as agressões por pelo menos “72 horas para que seja possível a evacuação de mulheres, crianças, feridos e idosos” do sul do Líbano.

Mark Malloch-Brown, vice-secretário-geral das Nações Unidas, disse que a ONU não se sente impotente depois que quatro observadores da entidade foram mortos por um bombardeio israelense, mas sim “preocupada e frustrada”.

Envio de tropas

No entanto, o presidente americano, George W. Bush, voltou a repudiar novos pedidos por um cessar-fogo, argumentando que uma força de paz internacional deveria ser enviada para a região.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, voltou ao Oriente Médio neste sábado, para se encontrar com líderes de países da região.

Bush disse que Rice “trabalharia com os líderes de Israel e Líbano para chegar a uma solução que traga a paz de maneira definitiva”.

O presidente americano disse que seu país e a Grã-Bretanha pressionariam por uma “resolução que delimitasse claramente as condições de um cessar-fogo imediato e o envio de uma força internacional”.

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que se encontrou com Bush em Washington na sexta-feira, disse que o envio de tropas à região seria discutido em um encontro nas Nações Unidas, na próxima segunda-feira.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que os países em condições de enviar tropas à região tomariam parte no encontro.

“Por hora, são discussões preliminares, porque nós não temos uma determinação do Conselho de Segurança”, afirmou Annan.


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