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27/09/2006 - 17h23

Planta amazônica pode estar ligada a estupros em Madri

Anelise Infante

De Madri
A polícia da Espanha acredita que uma planta amazônica, que provoca alterações de consciência e perda de memória, pode estar relacionada a cerca de 15% dos casos de estupros registrados na capital, Madri, neste ano.

A planta, conhecida como saia branca e zabumba no Brasil, tem como principío ativo a substância escopolamina e entrou no mercado europeu por meio da Espanha, onde é chamada de burundanda ou droga dos estupradores.

Estamos investigando muitos casos de estupros de mulheres que recordam ter consumido uma substância que desconhecem e só recordam o que aconteceu antes e depois", disse a porta-voz do serviço de atenção a mulheres da polícia municipal de Madri, Ester Zarátegui.

"Na maioria das vezes, seus casos se perdem em registros clínicos genéricos porque são situações delicadas, que nem sempre são denunciadas, implicam humilhações e vergonha. Agora, por meio de exames de sangue e análises psicológicas, estamos constatando o aumento de crimes com agressões mediante o uso da escopolamina, possivelmente em torno de 15% neste ano", explicou.

Bebidas
Processada, a planta tem a aparência de um pó branco, inodoro e de sabor amargo.
Normalmente, ela é consumida em bebidas, misturada com álcool ou café. Também é encontrada em versão spray para ser inalada ou borrifada em líquidos.

"Basta de cinco a dez gramas para conseguir o efeito tóxico e sedante. A droga é absorvida pelo canal gastrointestinal, atingindo o sistema nervoso central e periférico. Em caso de alta dosagem, pode ser mortal", disse a Dra. Laura Bernal, representante da Associação Espanhola de Toxicologia.

O efeito da burundanda começa com ressecamento da boca. A produção de saliva diminui rápido, a visão fica turva e depois surgem convulsões, taquicardia, hipertensão arterial, dilatação de pupilas, dificuldades para engolir e falar, cegueira transitória, retenção de urina e a pele fica avermelhada pela vasodilatação cutânea.

Entre uma e duas horas depois de ter consumido a droga, a vítima entra em estado quase inconsciente, tornando-se submissa. Ao se recuperar, o que acontece de forma espontânea, ela não é capaz de lembrar o que aconteceu.

Na América do Sul, inclusive no Brasil, oficialmente desde os anos 50, a escopolamina serve como base de remédios anti-espasmódicos para combater cólicas e dores abdominais.

A planta já é a segunda maior causa de intoxicações na Colômbia, onde começou sendo usada em rituais de cura.
Policiais espanhóis ouvidos pela BBC Brasil disseram ter conhecimento de que investigações feitas sobre o uso da droga no Brasil estariam relacionadas à prática de cirurgias ilegais e tráfico de drogas.

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