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31/10/2006 - 16h54

Para Wall Street, novo governo Lula será mais estável

da BBC, em Londres
Ao contrário das previsões feitas durante a campanha eleitoral, o segundo mandato do presidente Lula deverá ser mais estável do que o primeiro. A previsão é de analistas econômicos que se reuniram nesta terça-feira em Nova York para um seminário da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.

"Acredito que diversamente do primeiro mandato, em que o PT levou dois terços do ministério, agora o Lula vai incorporar a coalizão ao governo e, por isso, ele será mais estável", disse Drausio Giacomelli, vice-presidente do banco JP Morgan Chase.

"Além disso, graças aos 58 milhões de votos obtidos, hoje o Lula tem um capital político bem maior do que em 2002", acrescentou.

De acordo com Giacomelli, o cenário econômico brasileiro em 2007 também deverá ser marcado pela estabilidade. Ele prevê uma queda adicional entre 1 e 1,5 ponto percentual na taxa Selic, uma taxa de inflação entre 3% e 4% e a taxa de câmbio fechando o ano com o dólar em torno de R$ 2,20.

Meirelles 'fica'

Já para Rogério Chequer, diretor-gerente do fundo de investimentos Discovery, apesar dos recentes rumores em contrário publicados pela imprensa brasileira, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deve permanecer no cargo.

"Creio que a chance dele ficar é maior agora", disse Chequer, que argumenta que a saída de Meirelles do BC poderia provocar o pedido de demissão de diretores-chave da instituição, o que, por sua vez, traria turbulência aos mercados.

"A esquerda brasileira hoje está mais moderada. Além disso, existe pouco incentivo para que a política econômica do governo seja muito diferente da atual", acrescentou.

Segundo Chequer, o segundo governo Lula deverá ser marcado pelo gradualismo na tentativa de aprovar reformas macro e microeconômicas, a fim de garantir o ajuste fiscal do país.

Reformas

Lisa Schineller, diretora de crédito soberano para América Latina da agência Standard & Poor's, afirma que "o grande desafio para o país é a rigidez fiscal".

"O Brasil nunca esteve tão bem posicionado para crescer mais rápida e consistentemente, mas quando você tem uma carga de impostos da ordem de 38% do PIB (Produto Interno Bruto), o país não tem como crescer mais", acrescentou.

De acordo com Schineller, entre as reformas necessárias para aliviar o caixa do governo federal, a da Previdência é a que deve ser mais facilmente aprovada pelo Congresso.

"No caso da reforma da Previdência, o governo certamente contaria com o apoio dos governadores, que também seriam beneficiados por ela", disse.

Mas Schineller acrescenta que a reforma do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) deve encontrar mais obstáculos, uma vez que beneficiaria alguns Estados em prejuízo dos demais.

Quanto à classificação de risco brasileira, a diretora da Standard & Poor's afirma que dificilmente o país alcançará o grau de investimento a curto prazo. Hoje, a nota do Brasil para a S&P é BB com perspectiva estável.

"Apenas 20% dos países que hoje têm grau de investimento e já estiveram na posição do Brasil alcançaram o grau de investimento em um prazo de cinco anos", acrescentou.

Crescimento

Ao abordar as baixas taxas de crescimento da economia brasileira, Paulo Leme, diretor de pesquisa de mercados emergentes do banco Goldman Sachs, disse que não faz sentido esperar que o Brasil cresça no mesmo ritmo da Índia ou da China, as duas maiores potências emergentes do planeta.

"O Brasil está em um estágio de desenvolvimento diferente", disse Leme. "Mas o país não deve esperar que o crescimento da economia venha apenas do aumento populacional ou da acumulação de capital."

"Se o Brasil fizer as reformas necessárias, aumentar a produtividade e investir em tecnologia, deve crescer em torno de 4% ao ano", concluiu.



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