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03/11/2006 - 11h01

Ministro de Chávez quer livrar Bolívia do 'imperialismo'

da BBC, em Londres
Um vídeo divulgado pela oposição venezuelana mostra o ministro de Energia e Petróleo do país, Rafael Ramírez, prometendo "libertar a Bolívia" do "imperialismo e seus filhotes".

Na fita, Ramírez se dirige a diretores de primeira e segunda linha da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) para "estabelecer algumas linhas políticas".

Em um dos trechos da fita, o ministro afirma: "Estamos (a PDVSA) apoiando o presidente Hugo Chávez, que é nosso líder, que é o líder máximo desta revolução. Vamos fazer tudo que tivermos de fazer para apoiar nosso presidente".

"Quem não se sentir cômodo com essa orientação, que ceda seu posto a um bolivariano."

Após a divulgação do vídeo, nem a PDVSA nem o Ministério se pronunciaram sobre a fita.

Imperialismo

No vídeo mostrado pela oposição, Ramírez não detalhou quem seriam os agentes do "imperialismo" na Bolívia. Seu discurso girava em torno do que chamou "imperialismo ianque (termo que normalmente se refere aos Estados Unidos)".

"Dizem que isto é um exagero do comandante Chávez. Quem duvidar que veja os mais de 650 mil iraquianos que ofereceram sua vida porque o imperialismo ianque decidiu tomar o controle do petróleo do povo iraquiano", discursou Ramírez.

"Estão aplicando na Bolívia a mesma receita que aplicaram ao presidente Chávez em 2001 (durante uma tentativa de golpe em que os EUA são acusados de participação) – a mesma pressão internacional, a mesma subversão interna, as mesmas elites", ele afirmou.

"E ali (na Bolívia) ainda é mais terrível porque há desprezo pelo movimento indígena, batizado agora de fundamentalismo andino pelo imperialismo e seus filhotes. Vamos libertar a Bolívia."

Tensão

A afirmação de Ramírez tem o potencial de gerar tensão no relacionamento entre o Brasil e a Venezuela, que já não é o mesmo desde que, em maio, Caracas passou a apoiar &?8211; e, segundo críticos, orquestrar &?8211; a nacionalização do setor boliviano de petróleo e gás.

A Petrobrás é a empresa estrangeira com mais investimentos na Bolívia. Até maio, chegou a responder por 18% do Produto Interno Bruto (PIB) e 22% da arrecadação de impostos do país.

Na época da nacionalização, Chávez negou a intenção de prejudicar os interesses brasileiros na Bolívia, mas logo ofereceu ao governo Morales ajuda técnica e financeira para operar as empresas.

Politização

A um mês das eleições que, segundo pesquisas, devem reelegê-lo, o presidente vem sendo bastante criticado em seu país por usar a PDVSA para fins políticos.

Depois de uma paralisação do setor petroleiro no fim de 2002 e início de 2003, Chávez promoveu uma série de mudanças para demitir diretores e gerentes identificados com a oposição. Muitos estão sendo acusados na Justiça de tentar sabotar a operação tecnológica da PDVSA.

"Demitimos 19,5 mil inimigos deste país e estamos dispostos a seguir demitindo, para garantir que esta empresa esteja alinhada com nosso presidente", afirmou Ramírez na fita divulgada pela oposição.

"A nova PDVSA que nasceu sob o calor da derrota da sabotagem petroleira é bolivariana, é vermelha (em referência às cores oficiais) e está alinhada com o presidente Chávez."

A oposição acusou o ministro de abuso de poder e disse que vai entregar a fita à Organização dos Estados Americanos (OEA), entidades de direitos humanos e a União Européia como "prova do radicalismo de um governo que não aceita adversários".



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