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06/11/2006 - 10h34

Venezuela pode dificultar negociações entre Mercosul e UE, dizem analistas

da BBC, em Londres
A presença da Venezuela no Mercosul deverá dificultar as negociações para um acordo de livre associação com a União Européia, afirmam especialistas europeus ouvidos pela BBC Brasil.

Os dois blocos voltam a reunir-se nesta segunda e terça-feira, no Rio de Janeiro, depois de sete meses de paralização nas negociações - paradas porque os dois lados aguardavam a conclusão da Rodada de Doha, que deveria acertar as bases para o acordo bilateral.

Este será o primeiro debate em que o governo venezuelano participa como membro ativo do Mercosul, o que, para alguns especialistas, pode acabar emperrando ainda mais as negociações entre os dois blocos.

"A saída da Venezuela da Comunidade Andina de Nações se deu justamente porque o país é contra a liberalização do comércio. Tendo isso em conta, é natural concluir que sua entrada no Mercosul muito provavelmente colocará travas nas negociações com a UE", analisa Carlos Malamud, especialista em história econômica da América Latina no Real Instituto Elcano de Madri.

"Hugo Chávez (presidente venezuelano) já disse várias vezes que se este Mercosul tiver que morrer para dar lugar a outro, que seja mais a favor do povo, ele não terá dúvidas em fazê-lo", ressalta.

'Conflitividade'

A Comissão Européia - braço Executivo da UE, que conduz as negociações com o Mercosul - se nega a falar sobre a estréia da Venezuela antes da reunião no Rio.

No entanto, um alto funcionário ligado à equipe negociadora afirmou à BBC Brasil que os europeus estimam que Chávez "se mostrará firme nas condições que impor e difícil para admitir concessões".

"Ainda é cedo para sacar conclusões, porque não tivemos nenhuma sinalização (do governo venezuelano). Mas pelo seu perfil, não posso negar que há uma certa apreensão. Trata-se de um governo bastante duro nas posições que assume", disse.

"Venezuela não é um país que se caracterize por sua baixa 'conflitividade'", concorda o deputado José Ignacio Salafranca, vice-presidente da Delegação para as Relações com o Mercosul do Paralmento Europeu. "Sou realista: se levamos mais de dez anos negociando com um Mercosul sem Venezuela e não pudemos concluir um acordo, não é agora que será mais fácil."

Do lado sul-americano, os membros originais do bloco minimizam as expectativas.

"O Mercosul já tem sua linha de atuação consolidada e a Venezuela, que chegou mais tarde ao grupo, seguirá essa linha, respeitará o perfil do Mercosul e suas decisões", afirma Maria Celina de Azevedo Rodrigues, embaixadora do Brasil para a UE.

Brasil

Para o especialista Carlos Malamud, o Brasil, que ocupa a presidência de turno do bloco, terá o dever de fazer com que a Venezuela seja mais receptiva à abertura comercial.

"Capacidade para isso o Brasil tem. O problema será fazer com que a Venezuela se deixe influenciar, pois é um país com condições econômicas suficientes para tomar suas próprias decisões, sem aceitar pressões", avalia.

Para o deputado Salafranca, o dever do governo brasileiro vai além disso.

"Deveria haver um compromisso mais forte do Brasil em relação à conclusão do acordo de associação. O país fez uma aposta muito decidida pela rodada multilateral em detrimento do acordo com a UE", afirma, sem levar em conta que foi o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, quem insistiu em esperar pela conclusão de Doha antes de avançar nas conversas com o Mercosul.

Diante da paralização da rodada da OMC, no início de outubro Mandelson lançou uma nova estratégia de comércio exterior para a UE, cujas prioridades incluem a retomada das negociações de acordos bilaterais.




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