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11/11/2006 - 08h04

Política palestina ainda não superou Yasser Arafat

da BBC, em Londres
Dois anos depois da morte do líder Yasser Arafat, a política e a sociedade palestina ainda não conseguiram superar sua ausência. Este sábado, dia 11 de novembro, marca o segundo aniversário da morte de Arafat, que muitos consideram o "pai" da causa palestina.

Embora tenha havido grande mudanças na organização das lideranças palestinas neste período – notadamente a vitória do grupo islâmico Hamas nas eleições deste ano &?8211; nenhum líder conseguiu substituir Arafat ou unificar a nação como ele fez.

"Abu Amar (apelido de Arafat entre os palestinos) não está mais presente e não é possível substituí-lo. O que precisamos é de instituições fortes que possam tornar desnecessário o carisma pessoal do líder", diz o diretor do programa de ciências políticas da Universidade Birzeit, em Ramallah, Samir Awad.

Os palestinos já têm eleições com mais regularidade do que a grande maioria dos países do Oriente Médio, mas isso não significa que um sistema de divisão e transição de poder esteja funcionando.

Uma das evidências mais claras do problema é a disputa entre o grupo islâmico Hamas &?8211; que domina o Parlamento &?8211; e o Fatah, do presidente Mahmoud Abbas. Com a vitória dos islâmicos nas eleições parlamentares, o Fatah esta tendo que dividir pela primeira vez o poder. A experiência não tem sido nada pacífica.

Eleições

O vice-ministro das Relações Exteriores da Autoridade Palestina, Ahmed Sobeh, diz que todo o sistema eleitoral e administrativo já está sendo preparado para funcionar sem depender de figuras de carisma.

Mas Sobeh admite que o trabalho ainda está incompleto e é muito difícil de ser executado.

&?8220;Principalmente sob ocupação estrangeira (de Israel), isso é um trabalho quase impossível. Não temos autonomia para nada&?8221;, reclama.

O vice-ministro diz que em toda a sociedade palestina ainda se sente muito a ausência de Arafat, principalmente dentro do partido Fatah.

&?8220;Não ter mais Yasser Arafat é algo muito difícil para nós. Mas estamos nos esforçando para unificar o partido e esperamos que nas próximas eleições estejamos prontos para mostrar de maneira contundente que o Fatah está unido em favor do povo palestino&?8221;, diz.

Racha

Mas o cientista político Samir Awad acredita que o Fatah não não está livre do risco de passar por um racha com facções internas criando novos partidos.

&?8220;É só examinar como o Fatah está se comportando para perceber que o movimento não está nem um pouco unificado. Não me surpreenderia nem um pouco em ver disputas internas entre as facções ficando cada vez mais graves&?8221;, diz Awada.

Militante do movimento Fatah, no entanto, afirmam que o grupo politico ainda trabalha para permancer unido.

&?8220;Com ou sem Yasser Arafat o Fatah é o partido que representa os palestinos e vai continuar sendo importante&?8221;, diz o integrante do comitê regional do Fatah em Ramallah e funcionário do ministério do Interior, Eyad Marar.

&?8220;Cada vez mais os palestinos estão percebendo que as coisas eram melhores no tempo de Arafat, e tenho certeza que nas próximas eleições isso vai ficar claro nas urnas&?8221;, espera o militante.



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