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27/02/2007 - 11h15

Número de brasileiros presos na fronteira dos EUA cai 95%

Pablo Uchoa
De Londres
O número de brasileiros presos ao tentar emigrar ilegalmente para os Estados Unidos despencou 95% entre 2005 e o ano passado, revelam dados da agência americana de fronteiras, Border Patrol.

Em 2006, 1.460 brasileiros foram presos tentando cruzar ilegalmente as fronteiras americanas, menos de um vigésimo de 2005, quando 31.071 brasileiros foram detidos pela polícia de imigração.

Entre outras razões, a impressionante queda brasileira foi atribuída ao fato de que, a partir de outubro de 2005, o México passou a exigir visto de entrada para cidadãos brasileiros.

A assessoria de imprensa da Embaixada do México em Brasília explicou que, com a medida, "muitos que querem emigrar ilegalmente para os Estados Unidos têm agora que fazer um roteiro mais longo e perigoso pela Guatemala, e muitos desistem da idéia".

Tolerância zero
Mas autoridades americanas dizem que a política de "tolerância zero" na fronteira tem colaborado para dissuadir imigrantes de entrar clandestinamente no país.

No total, cerca de 1,09 milhão de pessoas foram presas em 2006, uma queda de 8,5% em relação a um ano antes.
A tendência se torna mais clara quando se excluem da contagem os mexicanos, responsáveis por 90% do fluxo de ilegais.
Entre 2005 e 2006, o número de prisões de não-mexicanos caiu 35% - de cerca de 165 mil para pouco mais de 108 mil, mostraram os números oficiais.

"A possibilidade de um não-mexicano ser preso hoje nos Estados Unidos é muito maior agora que há alguns anos", sustenta um porta-voz da Border Patrol, Xavier Rios.

"Isto tem exercido um efeito de dissuasão nos imigrantes."
Deportação
A prisão de 40 brasileiros a bordo de um caminhão clandestino, há cerca de dez dias, ilustra o recente endurecimento das leis anti-imigração nos Estados Unidos.

Eles foram presos no posto de checagem de Falfurrias, Texas, a 120 km (75 milhas) da fronteira com o México. Apenas mais 40 quilômetros teriam feito diferença nos procedimentos de deportação.

O chamado mecanismo de 'remoção expressa' (Expedited Removal), em vigor desde outubro de 2005, permite que estrangeiros presos a até 160 km (100 milhas da fronteira), nos primeiros 14 dias de entrada nos Estados Unidos, sejam deportados sem passar por uma audiência com o juiz de imigração.

"(Se eles tivessem percorrido mais 40 quilômetros), eles ainda seriam presos, mas o procedimento seria outro", confirmou à BBC Brasil o porta-voz da agência americana de fronteiras na região de Falfurrias, Texas, Oscar Saldaña.

"Talvez eles tivessem de comparecer a uma audiência com um juiz de imigração."
Além disso, mais guardas patrulham as fronteiras americanas, e cerca de 2 mil vagas em cárceres permitiram à polícia aumentar o rigor da fiscalização.

Antes, por escassez de vagas, muitos que cruzavam a fronteira eram liberados sob promessa de comparecer a uma audiência com um juiz. Muitos nunca apareceram.

"Agora, temos condições de prender 100% das pessoas que precisarmos prender", diz Saldaña.
Eficácia
Mas há quem diga que a política de tolerância zero, ainda que dificulte a imigração de não-mexicanos, não é capaz de conter o fluxo de pessoas provenientes do país vizinho.

"Considerando que entre 40% e 50% da população mexicana vive na pobreza, que temos uns 3,5 mil quilômetros de fronteira com este país, e que os esforços na fronteira são apenas esporádicos, não vejo como a situação mudará", disse John Keeley, porta-voz da organização Center for Immigration Studies, sediada em Washington.

A organização, que tem por missão pressionar o Congresso Americano por leis migratórias mais duras, estima que cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais vivem hoje nos Estados Unidos.

O fluxo de imigração ilegal envolve 750 mil pessoas todos os anos, Keeley afirmou, sendo que 500 mil acabam se instalando definitivamente no país.

Enquanto o governo americano não publica sua estimativa anual de entrada de imigrantes ilegais no país, ele diz: "Todas as entidades que consultamos esperam um aumento no fluxo de ilegais."

"O reforço no controle das fronteiras ainda é um pouco esporádico."

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