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08/03/2007 - 14h58

Análise: Bush chega tarde e com pouco à América Latina

Caio Blinder
BBC
De Nova York (EUA)
O presidente George W. Bush chega nesta quinta-feira a São Paulo, primeira parada de uma longa viagem internacional de sete dias.
Não estão previstas escalas em Bagdá e Cabul. A mudança de ares poderá ser saudável para um ocupante de uma Casa Branca que vive uma sensação de cerco.

Como disse o veterano professor de relações internacionais Abraham Lowenthal, é uma viagem à América Latina "sem grandes custos nem riscos".

É verdade que Bush não poderá dar o que os países mais importantes nesta viagem desejam. Ele traz na bagagem alguns pacotes assistencialistas modestos e em parte reciclados, além de memorandos de entendimentos.

Como antecipou o jornal Washington Post em editorial na quarta-feira, para o Brasil do presidente Lula o governo Bush não tem como oferecer uma redução de barreiras comerciais e, em particular, a remoção das tarifas sobre as importações de etanol.

No caso do México de Felipe Calderón, falta músculo político para o presidente americano concretizar uma reforma da política de imigração.

"Ano do engajamento"
De qualquer forma, existe esta disposição de última hora, ou de final de mandato, para revitalizar as relações dos EUA com a América Latina.

No lance retórico do subsecretário de Estado Nicholas Burns, 2007 será o "ano do engajamento" com o resto do continente, quando o foco dos americanos está no desengajamento do Iraque.

Na sua primeira campanha às eleições presidenciais no ano 2000, Bush prometera que a América Latina seria um "compromisso fundamental de meu governo". Mas atentados, guerras e, a rigor, a ausência de grandes perigos no chamado quintal dos EUA fizeram com que Bush não cumprisse a promessa.

Pegar agora a trilha latino-americana anteriormente prometida faz sentido quando o terreno está minado nas áreas estratégicas mais importantes para os EUA.

Claro que é ilusão imaginar que Bush tenha como escapar das explosões do Iraque e Afeganistão onde quer que esteja.

E o terreno está minado também ali mesmo em Washington. O mais recente e devastador golpe à credibilidade da Casa Branca foi a condenação na terça-feira de Lewis "Scooter" Libby, ex-chefe do gabinete do vice-presidente Dick Cheney, em um julgamento bizantino relacionado a investigações sobre as razões que levaram os EUA à guerra no Iraque.

Relações cordiais
Acossados, presidentes americanos (ou em qualquer parte) tentam mudar de rota ou ao menos de assunto.

Após sobreviver à batalha do impeachment, Bill Clinton tentou freneticamente costurar um acordo de paz no Oriente Médio. Richard Nixon foi a Moscou assinar tratados para o controle de armas nucleares antes de ser forçado a renunciar no escândalo Watergate.

O republicano Dwight Einsenhower, depois que os democratas reconquistaram o Congresso em 1958, adorava viajar pelo mundo. Foi bem recebido na mesma cidade de São Paulo, que será visitada por Bush.

O atual presidente americano é muito impopular na América Latina. Ele não deverá ser tratado efusivamente pelas multidões.

Mas nesta viagem Bush selecionou cinco países (Brasil, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México) com os quais seu governo mantém relações cordiais, amigáveis e mesmo calorosas.

Alternativas
Existe um interesse óbvio de Bush nesta viagem, em particular na escala brasileira, para apregoar seu empenho na busca de fontes alternativas de energia e de alternativas ao presidente venezuelano Hugo Chávez, mas não é possível visualizar refinados planos geopolíticos e geoeconômicos.

Nos últimos meses, o governo americano se revelou um pouco mais pragmático em algumas áreas (crise nuclear norte-coreana) e um pouco mais surrealista em outras (Iraque). O processo decisório se mostra disfuncional.

Bush é um presidente fraco e isolado.

Abraham Lowenthal, o veterano especialista em relações internacionais da Universidade do Sul da Califórnia, avalia que esta viagem de Bush pela América Latina terá poucas conseqüências imediatas, mas poderá plantar algumas sementes para que futuros presidentes restabeleçam o "soft power" (poder suave) dos EUA na sua área natural de influência.

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