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16/03/2007 - 14h35

Mensagem de sangue ajuda a desvendar crime após 13 anos

Valquíria Rey

De Roma
Uma mensagem escrita com o próprio sangue de uma médica italiana assassinada há 13 anos ajudou a polícia a colocar o suposto autor do crime na cadeia. Antonella Falcidia morreu depois de receber 23 facadas na noite de 4 de dezembro de 1993, dentro de sua casa, em Catânia, na Sicília.

O assassinato foi investigado na época, mas o caso acabou entrando para a lista dos crimes perfeitos na Itália.

Nesta semana, no entanto, a polícia anunciou ter desvendado a charada e colocou na cadeia o marido da vítima: o também médico Vincenzo Morici.

Em seus últimos instantes de vida, a mulher de 44 anos escreveu as letras "enz" em uma almofada florida, que estava em cima de um dos sofás da sala.

Programa
Na época, os investigadores encontraram toda a casa ensangüentada e não conseguiram identificar que os três sinais deixados por ela com o próprio sangue tratavam-se de uma acusação.

Somente no ano passado, depois da transmissão de um programa televisivo que mostrava uma reconstrução do crime, a Justiça decidiu reabrir o processo.

Salvatore Faro, um dos responsáveis pela investigação, diz que o programa o levou a ler um livro sobre o caso, em que estavam descritas novas técnicas investigativas.

Por meio de instrumentos que não existiam em 1993, a polícia científica diz ter conseguido identificar o que Falcidia queria dizer pouco antes de morrer.

Tecnologia
Com a ajuda de um moderno scanner, as fotos do crime foram aumentadas várias vezes e as letras "enz" apareceram muito claras. Na Itália, Enzo é o apelido ou diminutivo para Vincenzo.

Segundo os investigadores, o assassinato de Falcidia não foi premeditado. O casal teria começado a brigar porque ela descobriu que estava sendo traída.

Em um acesso de raiva, de acordo com os policiais, Morici buscou uma faca na cozinha e desferiu 22 golpes contra a mulher. Certo de que Falcidia estava morta, ele teria começado a limpar a cena do crime.

Mesmo agonizando, a vítima teria encontrado forças para tentar escrever o nome do assassino na almofada. Ao perceber que ela ainda estava viva, Morici teria golpeado a mulher mais uma vez, sem perceber o que ela fazia com a almofada.

Com a última facada na jugular, a mulher não resistiu, e teria deixado de escrever a letra "o" que faltava para completar o nome Enzo.

Depois do assassinato, a polícia encontrou a casa sem sinais de arrombamento. Nada foi roubado, as jóias estavam no lugar.

Morici se declarou inocente e sempre acusava o marido da doméstica do casal, um imigrante do Sri Lanka, como possível assassino.

"Ele é um mentiroso", diz o procurador Renato Papa. "É um homem frio e calculista, que sempre tentou incriminar o pobre imigrante."

De acordo com Papa, todas as informações dadas por Morici na época foram desmentidas, mas a polícia nunca conseguiu as provas para incriminá-lo e o caso acabou sendo arquivado.

Os investigadores dizem não ter dúvidas de que ele é o culpado, mas Morici se defende e diz que conseguirá provar sua inocência.

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