UOL Notícias Notícias
 

21/03/2007 - 19h23

Novo arcebispo de SP é 'alinhado' à Santa Sé, avaliam analistas

Valquíria Rey

De Roma
O alinhamento de dom Odilo Scherer com a Santa Sé o tornou uma indicação previsível para assumir a arquidiocese de São Paulo, na opinião de especialistas em religião ouvidos pela BBC Brasil.

"A nomeação não trouxe surpresas, porque ele tem um perfil muito ligado à administração e à Cúria Romana", diz Fernando Altemeyer Júnior, ex-assessor de dom Cláudio Hummes na Arquidiocese de São Paulo, professor e ouvidor da PUC-SP.

"Como bispo-auxiliar, ele já acompanhava a arquidiocese; como secretário-geral da CNBB, possui boa conexão com todo o Brasil; tem sólida formação teológica, com mestrado e doutorado, e bom trânsito em Roma, por ter trabalhado no Vaticano."

De acordo com Altemeyer, a nomeação de dom Odilo é um sinal de que ele é uma pessoa muito bem vista pelo Vaticano, que o escolheu para administrar a maior arquidiocese brasileira.

"Hoje, é difícil dizer quem é de esquerda ou de direita. Como bom gaúcho, dom Odilo é conservador e, como trabalhou na Cúria, ele mantém a ortodoxia em primeiro lugar", avalia.

"É um homem que fala pouco. Uma pessoa multifacetada, com muitos perfis, o que o coloca em diversas realidades e, inclusive, de muito conflito", acrescenta.

Altemeyer destaca que o novo arcebispo ainda não teve grandes responsabilidades pastorais, e cuidar dos pobres e da dura realidade de São Paulo será seu grande desafio.

Dinâmica
"A nomeação dele segue a dinâmica de todas as demais construídas nas últimas três décadas desde João Paulo 2º", diz Faustino Teixeira, professor do programa de pós-graduação em Ciência das Religiões da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG).

"São pessoas comprometidas com a linha de coibir o que o papa Bento 16 chama de desarranjos ocorridos na vida da Igreja Católica nos últimos anos."

Segundo Teixeira, dom Odilo, como secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), se esforçou para alinhar a entidade às diretrizes da Santa Sé, defendendo uma linha de equilíbrio da nova identidade católica, o que deve ter sido visto com bons olhos pelo papa Bento 16.

"A CNBB hoje não tem mais a presença pública que tinha nos anos 80. Ela se adequou à conjuntura internacional ratzingueriana", afirma. "Não quer dizer que não existam vozes proféticas no episcopado brasileiro, mas eles não são designados para postos importantes na Igreja."

De acordo com Teixeira, a nomeação desta quarta-feira representa "a identidade clara de uma Igreja brasileira que se cala quando o Vaticano pune Jon Sobrino, um dos mais expressivos teóricos da Teologia da Libertação".

Institucional
João Batista Libânio, professor da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia de Belo Horizonte, diz que dom Odilo não era a figura mais profética no episcopado brasileiro. Ele prefere classificar o novo arcebispo como institucional em vez de conservador.

"Dom Odilo reuniu requisitos importantes como eficiência, capacidade administrativa, coragem de tomar decisões e conhecimento da cidade", diz o teólogo, que já no primeiro ano de João Paulo 2º na Santa Sé afirmou que seu pontificado seria marcado pela volta à grande disciplina.

Com relação aos aspectos pastorais, se ele terá maior sensibilidade com os pobres, com as comunidades de base e se conduzirá a Igreja com mais liberdade e diálogo, o teólogo diz não saber o que ocorrerá.

"Ele teve mais experiência organizacional, como executivo", afirma. "Agora, terá uma presença em todo o panorama nacional."

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    1,30
    3,231
    Outras moedas
  • Bovespa

    18h20

    -1,28
    75.413,13
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host