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12/04/2007 - 16h28

Fertilidade e frustração resumem Brasil, diz especial da 'Economist'

Iracema Sodré

De Londres
A revista britânica "The Economist" publica nesta quinta-feira um relatório especial sobre o Brasil, em que defende que o maior inimigo do país é um Estado pesado, que precisa se desvencilhar da burocracia e administrar melhor impostos, pensões e leis de trabalho.

"Fertilidade e frustração resumem o estado do Brasil hoje em dia", diz a reportagem especial de 14 páginas da revista."O país está explodindo com commodities cobiçadas pelas economias crescentes da Ásia, de soja a minério de ferro. Nenhum outro país está mais bem colocado para lucrar com a histeria mundial por biocombustíveis. No entanto, o Brasil se recusa a crescer em sintonia com as expectativas de seus 188 milhões de habitantes."

O relatório, intitulado "Land of promise" (ou "Terra da promessa"), analisa as razões pelas quais o Brasil não vai tão bem quanto poderia e diz que a nação é "um campo de batalha entre o progresso e a inércia".

O texto cita problemas como a violência nas grandes cidades e a crise do setor aéreo, mas diz que o país está "em meio a uma vagarosa metamorfose em sua economia, sua sociedade e seu governo".

Segundo a "Economist", o Brasil é grande, democrático e rico em recursos, mas ainda assim cresceu meros 3,3% nos últimos quatro anos comparados a uma média de 7,3% dos países em desenvolvimento como um todo.

'Excessos'

Uma das principais razões para isso seriam os "excessos" do Estado que já se transformaram em uma dívida pública de cerca de 45% do PIB.

A solução, diz a revista, estaria em uma longa série de reformas que passariam por uma revisão dos impostos, das leis de trabalho, do papel do Estado e do Banco Central, além de uma liberalização maior do comércio e uma flexibilização dos gastos do governo.

De acordo com a revista, o governo gasta dinheiro principalmente em três setores: "pensões, transferências para outras instâncias do governo e sua própria burocracia. Em nenhuma destas áreas, o gasto é eficiente ou justo".

O relatório também critica o fato de funcionários públicos receberem "mais do que o dobro dos trabalhadores no setor privado" e terem "uma vida mais fácil", além de contarem com segurança no emprego. Mas segundo a 'Economist', "há muitos lobbies interessados em manter o sistema como está".

Outro grave problema do país seria a dificuldade de se abrir um negócio, o que "requer, em média, 17 procedimentos e 152 dias". Isso coloca o Brasil em 115º lugar em um ranking com 175 países.

Corrupção

Os escândalos do mensalão e dos sanguessugas também foram mencionados na reportagem: "Talvez os políticos se comportem assim porque sua ligação com os eleitores é tênue".

"Os partidos são fracos, alianças feitas antes das eleições são desfeitas e refeitas no dia seguinte e os eleitores têm pouca ligação com seus congressistas. Idéias mal entram em discussão, muito menos ideologia", diz a "The Economist".

Mas apesar de o Brasil "sufocar negócios, abandonar crianças e desperdiçar dinheiro", para a revista, o país está "transbordando com experiências promissoras e iniciativas bem-sucedidas". Só faltaria colocá-las em uma produção em massa.

No entanto, depois de dizer que um progresso impressionante já foi feito, a revista cita a educação como o maior obstáculo para as ambições do Brasil.

A reportagem cita uma pesquisa feita pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em 40 países, em que o Brasil ficou em último lugar em matemática e entre os piores nos testes de leitura.

Para a revista, o Brasil gasta pouco com educação, mas o pior é que "muito desse dinheiro é desperdiçado". Com professores "pouco qualificados e sobrecarregados" e pais "que vêem a escola como um lugar para deixar as crianças", mudanças só vão acontecer, segundo a Economist, quando os cidadãos começarem a exigir mais das escolas, e os eleitores, dos políticos.

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