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16/04/2007 - 08h33

No Rio, a morte chega cedo, diz 'The Washington Post'

O diário americano 'The Washington Post' publica em sua edição desta segunda-feira uma grande reportagem sobre a violência no Rio de Janeiro, na qual afirma que o número de mortes de jovens nas favelas da cidade "ultrapassa de longe o de muitas zonas de guerra".

"De 2002 a 2006, 729 menores israelenses e palestinos foram mortos como resultado da violência em Israel e nos territórios ocupados, segundo o B'Tselem, um grupo de direitos humanos israelense. Durante o mesmo período no Rio de Janeiro, 1.857 menores foram assassinados, segundo o Instituto de Segurança Pública, um centro de pesquisas do Estado", comenta o jornal.

A reportagem, que tem uma grande chamada na capa do jornal, com cinco fotos, traz ainda dez histórias de vida diferentes, sobre o efeito da violência sobre os moradores das favelas do Rio de Janeiro.

Uma das personagens, Maiza Madeira, conta como tenta localizar os três filhos para garantir sua segurança a cada vez que ouve barulhos que podem ser tiros na área onde mora.

"Eles moram em uma favela, que se transforma em um campo de batalha, disputada pelas gangues do narcotráfico que dominam o bairro, a polícia e, em alguns casos, milícias de vigilantes - e a segurança é dificilmente garantida", afirma a reportagem.

O jornal diz que no bairro onde ela mora, a Rocinha, "quase todos têm uma história de como a violência entrou em suas casas". "A maioria das histórias, como a de Madeira, tem crianças como seus personagens principais, como vítimas ou como autores", relata o texto.

Crimes de destaque

A reportagem comenta que "nos últimos três meses, vários crimes de destaque geraram um debate nacional sobre as crianças e a violência". "O Congresso brasileiro está considerando aplicar sentenças mais duras para crimes envolvendo crianças, e possivelmente reduzir a idade mínima para julgar os criminosos adolescentes", diz o jornal.

O 'Washington Post' conta a história de Marcos, de 17 anos, detido no centro de detenção de menores Instituto Padre Severino, onde 185 garotos dividem dez celas de concreto.

"Ele se descreveu como traficante de drogas, assaltante e assassino, e disse que foi enviado ao Padre Severino cinco vezes desde que entrou para o Comando Vermelho, a maior gangue do narcotráfico, aos 12 anos", relata o jornal.

A história de Marcos é contrastada com a de Joel Ferreira Silvestre, de 17 anos, que trabalha como cobrador de lotação ilegal e sonha em ser motorista de ônibus, como seu pai.

"Joel vem tentando ficar fora do conflito o máximo possível, mas é fácil se ver em meio ao tiro cruzado. Isso foi o que aconteceu, ele conta, com seu primo de 16 anos, que estava em um grande grupo de adolescentes em 2004 quando a polícia chegou para uma batida. Ele foi morto", conta a reportagem.

"Assim como Marcos, Joel não gosta da polícia. Mas ele nunca se sentiu tentado a entrar para uma gangue. Em vez disso, ele espera que o serviço militar o livre da linha de frente", diz o texto.

Segundo o jornal, Joel calcula que de cada 100 garotos de seu bairro, 30 são membros de gangues. "Isso é maior do que as estimativas dos acadêmicos e dos assistentes sociais, mas significa que Joel é muito mais representativo dos garotos da favela do que Marcos", avalia o 'Washington Post'.

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