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19/04/2007 - 17h42

Perfil: François Bayrou

Uma análise dos concorrentes que lideram a corrida pela presidência na França sugere uma disputa clara entre a esquerda e a direita.

Ségolène Royal quer ajudar os menos favorecidos e renacionalizar serviços públicos, e o conservador Nicolas Sarkozy é forte nos setores de lei e ordem e nos cortes de impostos.

Mas os dois enfrentam um novo desafio com o "Terceiro Homem" da política francesa, François Bayrou - que tenta unir o que ele chama de divisão "pré-histórica" entre esquerda e direita.

Bayrou é chefe do partido de centro-direita União para a Democracia Francesa (UDF) e, em pesquisas recentes, conseguiu 18% de apoio, chegando perto da segunda colocada, Ségolène Royal e, segundo alguns institutos de pesquisa, podendo até vencer a candidata ou Sarkozy em um possível segundo turno.

É uma reviravolta para um candidato que conseguiu apenas 7% dos votos nas eleições de 2002.

Desilusão
Segundo Jean-Daniel Levy, da empresa de pesquisa CSA, uma razão para o crescimento de Bayrou é a desilusão de muitos eleitores de esquerda.

A campanha de Royal foi marcada por erros no setor de política externa, dúvidas a respeito de sua competência e disputas internas de seu partido.

Bayrou, por sua vez, parece ser um estadista.
Apesar de suas raízes políticas estarem entre os partidos de centro-direita, ele não se juntou ao bloco governista, é contra o governo em questões importantes e ficou com a oposição em um voto de desconfiança. Com isso, Bayrou está conquistando votos da esquerda e da direita.

Trator
Bayrou, de 55 anos, tenta há tempos fugir dos modelos tradicionais da política francesa.
Filho de um fazendeiro do sudoeste da França, ele não freqüentou escolas de elite, estudou literatura e trabalhou como professor enquanto ajudava sua mãe na fazenda.

Bayrou entrou na política no início dos anos 1980, subindo de postos na UDF e atuando como ministro da Educação em governos de centro-direita entre 1993 e 1997.

Ele ainda faz trabalhos na fazenda e se apresenta como o único candidato à presidência francesa que consegue ordenhar vacas e dirigir um trator.

Católico praticante, ele se casou aos 20 anos e tem cinco filhos. O fato de não ter uma fortuna pessoal ajudou o candidato a se conectar com os eleitores. Ele também usou suas raízes na área rural para ressaltar sua abordagem não-ideológica da política.

Governo de união
"Não importa se você é socialista ou partidário do UMP (partido do governo), você tem os mesmos problemas que nós. Vamos resolver juntos", disse Bayrou.

O candidato até sugeriu que, se eleito, vai escolher um socialista como primeiro-ministro.
Seu programa de governo visa agradar todo o espectro político, se concentrando em seis itens: emprego, meio ambiente, educação, economia, exclusão e Europa.

Partidários de Ségolène Royal e o próprio Nicolas Sarkozy já falaram que Bayrou é uma "variante da direita".
A força de Bayrou ainda não está clara.
"Ele está se posicionando como intruso e uma vítima dos grandes partidos, bem parecido com (o líder de extrema direita) Jean-Marie Le Pen", disse o analista político Nicolas Baverez.

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