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20/04/2007 - 09h18

Campanhas tentam combater apatia nas periferias francesas

Daniela Fernandes
De Paris
Associações de moradores das periferias pobres da França realizaram campanhas para incentivar seus moradores a votar nas eleições presidencias de domingo.

A onda de violência nos subúrbios da França, em outubro de 2005, acabou estimulando nessas eleições um maior ativismo político em algumas dessas localidades, onde moram principalmente imigrantes e pessoas de baixa renda.

Em alguns subúrbios de Paris, regiões que costumam ser marcadas por apatia e pelo alto grau de abstenção eleitoral, até mesmo "eleições" já foram realizadas por associações como a Votez Banlieues (Votem Periferias) para conscientizar os moradores sobre a importância de participar desse pleito, já que o voto na França não é obrigatório.

'Ralé'
Simbolicamente, uma delas ocorreu em Argenteuil, a mesma cidade onde o candidato Nicolas Sarkozy, ex-ministro do Interior, utilizou em 2005 o termo "ralé" ao se referir a moradores dos subúrbios.

A França terá 1,8 milhão de eleitores a mais nessas eleições presidenciais, um recorde de novas inscrições nos últimos 25 anos.

Além de Paris e dos territórios franceses fora da Europa (como a Guiana Francesa), uma das mais altas taxas de novas inscrições nas listas eleitorais, 8,51%, foi registrada na área da Seine-Saint-Denis, que reúne periferias pobres da capital francesa, onde teve início a onda de violência.

"Estou convencido de que as periferias terão um peso nessas eleições. A agitação em torno dos novos eleitores que se inscreveram para votar vai ser vista nas urnas", acredita Mohamed Mechmache, presidente da associação AC-Lefeu ("Chega de fogo", em tradução livre, uma referência aos carros e prédios queimados nos atos de violência).

A associação foi criada em Clichy-sous-Bois, periferia ao norte de Paris, após a onda de revolta nos subúrbios. Foi justamente em Clichy-sous-Bois onde começaram os confrontos em 2005, depois que dois jovens morreram eletrocutados quando tentavam fugir da polícia.

A AC-Lefeu percorreu todo o país fazendo campanhas nas periferias e distribuindo um documento com uma centena de "compromissos" que o futuro presidente deve aceitar para tentar resolver problemas de emprego, moradia, discriminação, entre outros, que enfrentam os moradores dos subúrbios pobres.

Esquerda
Segundo Frédéric Dabi, diretor de opinião pública do Instituto Ifop, "os jovens da periferia se sentem mais próximos dos partidos de esquerda. A preferência se situa entre 5 e 8 pontos acima da média nacional".

Mas os jovens da periferia entre 18 e 25 anos representariam apenas 3% do total de eleitores, cerca de 1,3 milhão de pessoas, nos cálculos da pesquisadora Anne Muxel, do Centro de Estudos da Vida Política Francesa.

Os jovens de todo o país nessa faixa etária representam 15% do eleitorado francês. De acordo com uma pesquisa do instituto Ifop divulgada na quarta-feira, os jovens eleitores, com menos de 30 anos, que vão votar pela primeira vez preferem Nicolas Sarkozy.

O candidato da direita registrou 30% das intenções de votos desses novos eleitores, contra 23% para o centrista François Bayrou e 22% para Ségolène Royal.

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