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23/04/2007 - 14h13

Era Yeltsin marcou surgimento da nova Rússia

BBC Brasil
O ex-presidente russo Boris Yeltsin, que morreu nesta segunda-feira aos 76 anos, para sempre estará associado com o período de transição do regime soviético para a democracia na Rússia.

Em 1991, ele se tornou o primeiro presidente eleito da Rússia, ainda nos últimos meses de existência da União Soviética.

Para analistas, um dos feitos mais notáveis de Yeltsin foi ter governado a Rússia em um período de tantas transformações, até 1999, de forma relativamente pacífica - apesar da campanha militar na Chechênia.

As transformações levaram ao estabelecimento de uma nova Rússia, o maior legado do ex-presidente.

Reformismo
Nascido em uma família de camponeses dos montes Urais, Yeltsin galgou a hierarquia do politburo (comitê central do partido comunista soviético) e, em 1985, foi convocado pelo presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, para ser prefeito de Moscou.

Assumindo uma postura de líder que conhecia a realidade das ruas em vez de ser um burocrata do partido, Yeltsin optou pelo reformismo e deixou enfurecida a velha guarda.

Sob pressão, ele deixou o politburo em 1988 e, dois anos depois, o próprio Partido Comunista. Isso não abalou sua popularidade.

Em agosto de 1991, conservadores linha-dura tentaram dar um golpe de Estado contra Gorbachev. Yeltsin organizou os liberais e garantiu o retorno do presidente ao Kremlin, mas aproveitou o incidente para humilhar Gorbachev e seus seguidores, ganhando mais poder e influência com isso.

No final de 1991, a União Soviética deixaria de existir. Yelstin, que já estava no poder quando isso ocorreu, se tornaria o primeiro presidente da Rússia independente.

Dois anos depois, a jovem democracia novamente esteve em risco. Conservadores se fecharam dentro do Parlamento e tentaram tomar o controle da TV estatal.

Mas, com tanques, tropas leais a Yeltsin tomaram o prédio, os rebeldes se entregaram e novas eleições foram realizadas.

Investimento
Os ultranacionalistas se tornaram uma força dominante no novo Parlamento e atrapalharam os planos de governo de Yeltsin.

Com o colapso na velha ordem econômica na Rússia, veio a liberalização econômica. Isso se traduziu, em princípio, em uma inflação galopante, riqueza imensa para alguns, miséria para muitos e um choque psicológico para um país há décadas acostumado com o controle completo do Estado sobre a economia.

O processo de privatizações, até hoje criticado por muitos analistas, colocou nas mãos de uma oligarquia algumas das mais poderosas estatais soviéticas. Muitas delas controlam parcela significativa das reservas planetárias de combustíveis fósseis.

No cenário mundial, Yeltsin queria que a Rússia fosse respeitada como uma potência mundial, herdeira da União Soviética. Mas o país também precisava de investimento estrangeiro.

Os Estados Unidos concluíram que a melhor forma de ajudar a Rússia seria dar apoio ao presidente, e aos poucos os problemas econômicos foram sendo superados. A popularidade de Yeltsin, contudo, ficou desgastada.

Chechênia
Em 1994, a Rússia enfrentava um período de grande confusão e violência. Soldados do país haviam sido enviados à Chechênia, uma república separatista no Cáucaso, para tentar apaziguar uma revolta.

Os confrontos arruinaram vastas áreas na região e levaram centenas à morte. Russos liberais disseram que a guerra era desumana; nacionalistas, que não era eficiente.

Paralelamente, a corrupção e outros crimes se tornaram endêmicos na Rússia. Com a proximidade das eleições presidenciais de 1996, essa conjuntura deu novo vigor aos velhos comunistas, que prometiam um apetitoso coquetel de novidades e velhas certezas.

Mas foi aí que Yeltsin iniciou uma incrível ressurreição política. Ele chamou rebeldes chechenos para dialogar no Kremlin e colocou um fim à guerra, fez uma campanha eleitoral agitada e parecia saudável e no controle.

O resultado da eleição foi uma tremenda vitória para o presidente, que não só foi reeleito, mas também viu os eleitores rejeitarem um retorno ao passado comunista.

Problemas de saúde
Em novembro de 1996, Yeltsin se submeteu a uma operação para colocar cinco pontes de safena. Dois meses depois, ele foi novamente internado, desta vez com pneumonia.

Yeltsin nunca se recuperou por completo. Pelo resto de sua vida, sua saúde ficou instável, forçando o presidente a ficar sem aparecer publicamente por períodos que, às vezes, chegavam a semanas.

Vladimir Putin assumiu o cargo de primeiro-ministro em agosto de 1999. Foi o quarto premiê consecutivo indicado por Yeltsin, que afastou um em 1998 e outros dois já em 1999.

Mas Putin, que reiniciaria a Guerra na Chechênia, se mostrou um herdeiro satisfatório para Yeltsin, que renunciaria ao cargo em dezembro de 1999 em favor do seu escolhido.

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