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24/04/2007 - 19h50

Análise: Ofensiva na Chechênia foi pesadelo para Yeltsin

Steven Eke
Ao homenagear o ex-presidente russo Boris Yeltsin, que morreu nesta segunda-feira, muitos líderes mundiais o elogiaram pela habilidade de conduzir pacificamente a transição na Rússia, que abandonou o modelo soviético e abraçou a democracia e a economia de mercado.

Poucos deles optaram por destacar as conseqüências da decisão de Yeltsin de enviar, em 1994, tropas à Chechênia, a república separatista do Cáucaso.

A guerra na Chechênia foi considerada por muitos uma humilhação nacional. Dezenas de milhares de civis morreram, as maiores cidades chechenas foram reduzidas a escombros e os russos foram forçados a se retirar sem que os separatistas fossem completamente neutralizados.

A ofensiva selou a falência econômica e moral da Rússia, outrora uma superpotência no seio da União Soviética.

Exército desmoralizado
As sementes da primeira guerra na Chechênia foram plantadas por Djokhar Dudayev, um ex-general soviético, que foi eleito presidente da Chechênia em outubro de 1991.

Nos três anos seguintes, Dudayev reinou sobre um território praticamente independente que se transformou em um reduto do crime organizado. Era um centro de diversas práticas ilegais, como a venda de armas e o tráfico de armas e pessoas.

A situação levou Moscou a lançar um ultimato, afirmando que a situação na Chechênia ameaçava a estabilidade e integridade territorial da Federação Russa.

A guerra foi lançada, mas o Exército russo mostrou não estar em condições de participar dela. Estava desmoralizado, sem dinheiro e sem armas adequadas.

Recrutas praticamente sem treinamento foram lançados na linha de fogo, usando estratégias da Segunda Guerra Mundial que eram inadequadas para combater as táticas de guerrilha dos separatistas.

O resultado foi um massacre indiscriminado. Sérias violações dos direitos humanos, incluindo torturas e execuções sumárias, se tornaram lugar comum.

Um aspecto crucial dessa primeira guerra na Chechênia foi que jornalistas foram autorizados a acompanhar os combates na república separatista.

Eles arriscaram suas vidas, mas os horrores que testemunharam tiveram um impacto crucial na forma como a Rússia e Boris Yeltsin seriam vistos.

Um cessar-fogo colocou fim à desastrada intervenção russa em agosto de 1996.

Segunda guerra
Apesar da derrota, para a Rússia, a derrota na primeira guerra na Chechênia pode ter lançado as bases do desenvolvimento que o país viveu desde então.

O presidente Vladimir Putin chegou ao poder. Sua determinação de reafirmar o "poder" do Estado russo e a adoção de um sistema de governo centralizado tem suas raízes no conflito.

Em agosto de 1999, a opinião pública russa estava pronta para uma segunda ofensiva. E Putin a lançou.

Durante os três anos anteriores, novamente a Chechênia tinha virado um centro de criminalidade. Mas - o que é mais significativo - a região começou a dar sinais crescentes da presença de radicais islâmicos oriundos do Oriente Médio.

Para garantir melhores resultados, Putin adotou uma estratégia bem diferente da de Yeltsin na Chechênia.

Além de dar apoio incondicional ao Exército, o presidente proibiu jornalistas de trabalhar livremente na república separatista.

Putin também criou a meta de "chechenização" da república, centrada na busca de líderes de etnia chechena que fossem, ao mesmo tempo, fiéis a Moscou e tivessem prestígio suficiente entre os próprios chechenos para que pudessem ser parte do governo local.

O atual presidente, Ramzan Kadyrov, tem esse perfil. Grupos de direitos humanos o acusam de governar pelo medo, usando uma milícia particular para controlar a população.

Moscou, porém, insiste que criou condições suficientes de paz na Chechênia para permitir o trabalho de reconstrução - restabelecendo integralmente a república como parte integrante da Federação Russa.

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