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24/04/2007 - 07h55

G4 está 'paralisado pelo medo', diz diretor da OMC

Bruno Garcez

De Washington
O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, afirmou que Estados Unidos, União Européia, Brasil e Índia, o grupo que constitui o chamado G4, está ''paralisado pelo medo'' de fazer concessões capazes de destravar a Rodada de Doha de liberalização mundial do comércio.

O comentário de Lamy foi feito durante um pronunciamento realizado por ele nesta segunda-feira, na sede da Câmara do Comércio dos Estados Unidos, em Washington.

De acordo com o diretor da OMC, apesar de o G4 estar ''comprometido politicamente a concluir as negociações até o final deste ano'', o bloco está ''paralisado pelo medo de que qualquer medida na negociação será explorada pelo outro e não irá gerar ações recíprocas".

O diretor da OMC identifica essa ''paralisia'', principalmente, em três setores: subsídios agrícolas, tarifas industriais e tarifas agrícolas. Lamy afirma que negociadores da OMC estão preparando novos textos relativos a estes temas e irão submetê-los aos representantes comerciais do G4.

A expectativa de Lamy é de que os negociadores do bloco aceitem os termos propostos pela OMC e possam firmar um acordo até o fim de junho. ''Dizer não em uma negociação não é o mais difícil. Dizer sim é que exige assumir responsabiliades. Se isso não funcionar, eu não tenho um plano B'', afirma Lamy.

Papel dos EUA

O pronunciamento de Lamy teve como título ''A Agenda de Desenvolvimento de Doha: O Tempo Está se Esgotando Para a Liderança Americana?''. ''Pode parecer um título bem provocativo aqui em Washington. Mas deixe-me assegurá-los, é a mesma pergunta que recebo a respeito de Nova Déli, Brasília ou Pequim'', disse.

Segundo Lamy, ''durante a última rodada de negociações comerciais, em 1995, a Rodada Uruguai, a liderança dos Estados Unidos e da União Européia era determinante para o sucesso da rodada''.

Mas acrescentou que ''hoje em dia, a liderança econômica desses dois gigantes é uma condição necessária, porém insuficiente para o sucesso da rodada. A liderança de países emergentes cruciais e de nações em desenvolvimento é igualmente importante''.

Mas Lamy crê que os Estados Unidos ainda têm um papel crucial no sentido de renovar a chamada Trade Promotion Authority (TPA), o expediente também conhecido como ''fast track'', que permite ao Executivo norte-americano aprovar acordos comerciais sem a possibilidades de emendas pelo Congresso. A TPA vence no final de junho deste ano.

''Muitos parceiros comerciais dos Estados Unidos acreditam que nehum movimento em relação à TPA significaria que os Estados Unidos perderam a fé na Rodada de Doha.''

Jogo complexo

O diretor da OMC afirmou que, atualmente, o ''jogo é mais complexo'' em comparação às negociações passadas e exemplificou com as atuais divergências entre Estados Unidos e Índia:

''Os Estados Unidos estão fazendo alguns pedidos para que a Índia abra seu mercado de serviços. E a Índia tem feito muitos pedidos para que os Estados Unidos abram o seu setor de serviços.''

Nesse cenário de crescente complexidade, o diretor da OMC acrescenta que países como Paquistão e Egito também estão pressionando para obter vantagens em setores nos quais contam com vantagens comparativas, como construção e engenharia.

Lamy se mostra otimista, mas conta que teve o mesmo sentimento no passado e acabou se decepcionando, em especial após a reunião do G8, em São Petersburgo, em julho de 2006, quando os principais líderes mundiais pareciam propensos a fechar um acordo comercial.

''Talvez eu seja inocente, talvez seja muito jovem, um escoteiro. Mas eu levei a sério e estava errado.'' A fim de não cair no mesmo erro, acredita, é preciso promover concessões simultâneas, como que em ''um concerto, como uma grande orquestra tocando na mesma melodia''.

Negociadores, acrescenta Lamy, ''são pessoas inteligentes e muitas vezes extramente brilhantes. Eles têm uma atitude de dizer: 'Eu consegui mais e paguei menos'. Pode ser verdade. Mas, matematicamente, você não pode ser mais inteligente que seu vizinho, quando há 150 pessoas na mesa de negociação'', afirma, em referência ao número de países que integram a OMC.

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