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24/04/2007 - 15h56

Governo britânico prevê redução de fumantes com proibição em pubs

Tom Geoghegan
Dentro de dez semanas, será proibido fumar em lugares públicos fechados na Inglaterra.

A lei, que entra em vigor no dia 1º de julho, repete medidas semelhantes já adotadas na Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte - o que significa que a proibição será total na Grã-Bretanha.

A idéia é beneficiar a maioria não-fumante, mas muitos se perguntam sobre o impacto que a medida terá nos 10 milhões de ingleses que fumam.

O governo diz que o principal objetivo da lei é reduzir o fumo passivo, mas prevê, como conseqüência secundária, que mais pessoas aproveitem a oportunidade para deixar de fumar.

"Nós estimamos que uma proibição total possa diminuir o número de fumantes em 1,7%, reduzindo o total de 24% para 22% (da população)", diz uma porta-voz do Departamento de Saúde britânico. "Isso significa que, a longo prazo, haverá 600 mil fumantes a menos", calcula.

Ajuda
Na Escócia, 45 mil pessoas procuraram ajuda do Serviço Nacional de Saúde para parar de fumar quando a lei anti-fumo entrou em vigor, em março de 2006. Apenas 18% foram bem-sucedidos.

Segundo a especialista em políticas sociais Linda Bauld, a maioria dos que abandonaram o fumo fez isso nos três meses que antecederam a entrada em vigor da lei.

Bauld diz que o mesmo está acontecendo na Inglaterra no momento. "Uma pesquisa nacional junto aos serviços de ajuda para fumantes parece mostrar um aumento na demanda no momento", afirma.

Muitos fumantes tentando parar de fumar buscam o auxílio de livros de auto-ajuda. Outros métodos menos convencionais incluem táticas de choque como assistir a cirurgias para extração de cânceres do pulmão e até tocar um tumor.

Qualquer que seja o impacto da lei na Inglaterra, não deve ser tão grande como foi para os vizinhos, na opinião do psicólogo Robert West, diretor da entidade beneficente Cancer Research UK.

"A proibição na Irlanda teve mais peso do que a nossa porque já temos uma cultura anti-fumo", disse West.

Para ele, como as proibições na Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales aconteceram antes, o efeito psicológico na Inglaterra será menor.

"Além disso, (a lei) entra em vigor no verão. Então, é relativamente fácil para o fumante usar instalações fora dos bares para fumar e os estabelecimentos estão se preparando para isso", diz o psicólogo.

Convicção
West avalia que a previsão do Departamento de Saúde é otimista e que o número de pessoas que deixarão de fumar deve ficar entre 80 mil e 200 mil.

O psicólogo calcula que a queda no consumo deve atingir entre 5% e 10% das vendas.

Outro psicólogo, Gordon Tinline, que trabalha para a consultora de saúde no trabalho Robertson Cooper, diz que a proibição não terá apenas um efeito anti-fumo.

Tinline afirma que enquanto uma maioria vai se sentir pressionada a abandonar o hábito, os que continuarem a fumar podem ficar ainda mais convictos.

"Aqueles que estiverem determinados a continuar fumando a todo custo podem bater o pé e sentir prazer no desafio", diz. Para o psicólogo, a reação desses fumantes será do tipo: "Vocês não vão me controlar".

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