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26/04/2007 - 15h11

Macieiras na Quinta Avenida

Lucas Mendes
Nosso prefeito Bloomberg esverdeou de vez: vai plantar um milhão de árvores na cidade.

Acho que vou colher maçãs na Quinta Avenida e morangos nos parques porque "ninguém em Nova York", garante o prefeito, "vai morar a mais de dez minutos de um parque."

O plano dele é verde visionário. Enquanto os políticos estão pensando na próxima eleição, Bloomberg, que está com menos de mil dias para terminar seu último mandato, pensa em 2030.

Além de um milhão de árvores, até lá teremos mais um milhão de vizinhos e o prefeito diz que se a gente não começar agora a cidade vai ficar cinza, poluída e congestionada como Londres na década de 50. O primeiro ministro Blair, via satélite, aplaudiu a apresentação do prefeito.

O plano tem 127 propostas, vai custar zilhões e a continuidade dele vai depender de futuros prefeitos e governadores, além de uma boa e promissora economia, como a atual.

Sonho impossível? O plano de criação do Central Park, na época, parecia tão ou mais absurdo. Apesar de grandes protestos, mais de 1.500 pobres foram despejados do parque e uma colônia inteira de negros - Seneca Village - foi demolida.

Tão impossível parecia também o projeto de construção do Rockfeller Center, em plena Grande Depressão. Ou a extensão do metrô até o Harlem. Foram ousadias que ajudaram a transformar Nova York na capital do século 20.

O maior obstáculo ao plano do prefeito são os carros. Ele quer cobrar 8 dólares de cada carro e 21 dólares de cada caminhão que entrar na área central da cidade. Os moradores de Manhattan pagarão 4 dólares para atravessar os pedágios e os carros híbridos serão isentos.

O dinheiro, uns 500 milhões por ano, será investido no transporte público.

Londres, Estocolmo e Cingapura criaram pedágios semelhantes, alguns bem mais caros. Diminuíram a poluição e o congestionamento nas ruas, mas em Nova York o prefeito vai bater de frente com grupos turbinados de dólares e políticos ressentidos dos bairros vizinhos que acusam o prefeito de "Manhattancentrismo".

O bilionário Bloomberg tem um outro projeto original financiado em parte com dinheiro do próprio bolso: reduzir a pobreza em Nova York.

Esta semana ele foi ao México com alguns dos principais assessores estudar o programa Oportunidades, um tipo de bolsa família que está fazendo dez anos e hoje distribui dinheiro para um quarto dos mexicanos, em condições parecidas com o programa brasileiro.

O de Nova York vai começar com 5 mil dólares por ano para 2.500 famílias.

Será que o Bloomberg é um visionário idealista ou um candidato enrustido?

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