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27/04/2007 - 19h04

Candidatos democratas marcam território em 1º debate

Justin Webb
De Orangeburg, na Carolina do Sul
Os oito pré-candidatos democratas à Presidência dos Estados Unidos realizaram na quinta-feira o primeiro debate entre eles, cerca de um ano e meio antes da eleição para a Casa Branca.

O debate, na Carolina do Sul, permitiu que os candidatos marcassem seus territórios, esclarecendo posições que podem render dividendos antecipados a eles - além de deixar claras divisões dentro do próprio partido.

Hillary Clinton, uma das favoritas na disputa pela candidatura democrata, se referiu ao assunto mais difícil, a guerra no Iraque, com a cabeça levantada e sem titubear.

"Eu assumo a responsabilidade pelo meu voto", que autorizou o presidente George W. Bush a enviar tropas ao Iraque, disse Hillary. "Se eu soubesse o que sei hoje, nós não teríamos ido à guerra."

Ao mesmo tempo, a senadora deixou claro - enviando uma mensagem a todos os americanos - que ela não hesitaria em ordenar uma "resposta militar" se o país fosse atacado.

Hillary foi a única candidata no debate a perceber que essa é uma postura política fundamental se os democratas querem provar que podem ser tão duros quanto os republicanos, quando isso for necessário.

Biden
Outro que se saiu bem foi o senador Joe Biden. No debate, ele se mostrou disciplinado e fez a única (e melhor) piada da noite.

Perguntado se iria conseguir controlar a "incontrolável verbosidade" do seu passado e o uso de palavras emprestadas de outros (ele, certa vez, copiou um discurso de um líder trabalhista britânico), o senador ficou em silêncio por um segundo antes de responder "sim".

E não disse mais nenhuma palavra.

Perguntei depois a Biden qual é o objetivo de realizar debates tanto tempo antes da eleição.

"As pessoas podem nos conhecer", disse ele, com simplicidade.

Esquerda armada
Outro aspecto do debate foi perceber como a ala mais de esquerda dos democratas foi representada nos debates pelo deputado Dennis Kucinich e pelo ex-senador Mike Gravel.

As opiniões de Gravel no debate contrastam com as opiniões que todos acreditam ser a opinião comum de todos os americanos.

O ex-senador disse que os líderes na corrida presidencial o assustam pelo fato de estarem viciados em guerra e violência. O comentário poderia ser usado para descrever a atitude de muitos, em todo o mundo, em relação aos Estados Unidos como um todo.

Foi interessante ouvir um candidato à Presidência manifestando esse medo. Isso nos faz lembrar que existe um outro Estados Unidos que nem sempre é visível.

Mas, ao mesmo tempo, esse outro país não está longe do restante dos Estados Unidos do ponto de vista cultural.

Em determinado momento do debate, quando se discutia o controle de armas de fogo, foi perguntado aos candidatos quais deles já tinham possuído, em algum momento de suas vidas, uma arma em casa.

Os dois candidatos da ala de esquerda levantaram as mãos. Os únicos que disseram nunca ter tido armas foram Barack Obama, John Edwards e Hillary Clinton.

Suponho que isso tenha deixado eufóricos alguns estrategistas do partido, muitos dos quais acreditam que a questão do controle das armas custou aos democratas as eleições de 2000.

Mesmo depois do massacre na Virgínia, eles não querem discutir o assunto.

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