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04/05/2007 - 16h45

Brasil levaria vantagem para limitar emissões, diz governo

Marina Wentzel
Enviada especial a Bangcoc
Limitar as emissões de gases causadores do efeito estufa deve ser mais fácil para o Brasil do que para outros países emergentes, pois esta ação não envolve mudanças significativas nas fontes de geração de energia elétrica, disse à BBC Brasil uma especialista do governo brasileiro.

"A energia elétrica no Brasil se baseia em tecnologia hidroelétrica e isso tem nível de emissão de carbono praticamente zero", disse a especialista Branca Americano, do ministério da Ciência e Tecnologia.

Ela participou da redação do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) da ONU, cuja terceira parte foi divulgada nesta sexta-feira em Bangcoc, na Tailândia.

Segundo Americano, o Brasil está "muito bem na foto" se comparado com os outros emergentes, porque o país não depende de combustíveis fósseis como o carvão, que emitem mais gás carbônico.

Já a diretora do grupo de trabalho do IPCC, a brasileira Thelma Krug, observa que a maior parte das emissões de carbono no Brasil é causada pelo desmatamento de florestas.

"É muito mais fácil para nós cortarmos as emissões, pois se trata de desmatamento, que é uma atividade ilegal. As razões econômicas do desmatamento por si não tem um impacto significante para o país como a queima de carvão tem para a China, por exemplo."

Relatório
Segundo o relatório divulgado nesta sexta-feira os níveis de emissão de gases causadores do efeito estufa aumentaram no mundo 70% desde 1970. Até 2030, eles podem crescer até 110% se não forem tomadas providências para reverter a tendência.

O documento afirma que manter as emissões de carbono em níveis que minimize o aquecimento global custaria 3% do Produto Interno Bruto mundial até 2030.

O relatório indica no capítulo de trata de florestas, que a maior parte das emissões de CO2 causadas por desmatamento ocorre em países tropicais.

Gavin Edwards, especialista nas questões de energia e mudança climática da ONG Greenpeace, ressalta que "o desmatamento tem que ser levado a sério por estas nações e o relatório reconhece isso".

Segundo Edwards, o Brasil precisa agir logo e não pode se deixar cegar pelo fato de ter a questão da energia elétrica melhor resolvida que outros emergentes.

"O que o Brasil precisa é simplesmente combater com mais eficiência o desmatamento", diz Edwards.

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