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04/05/2007 - 15h49

Católicos podem deixar de ser maioria na Guatemala

Fernán Gonzalez-Torres
Enviado especial à Guatemala
A Guatemala pode se tornar o primeiro país da América Latina em que o número de protestantes e evangélicos vai superar o de católicos neste século, prevêem alguns especialistas como o antropólogo americano David Stoll.

Embora as estimativas variem, calcula-se que mais de 30% da população de cerca de 13 milhões pertença a alguma das numerosas denominações protestantes e evangélicas.

Trata-se do país da região com maior proporção de evangélicos e protestantes. Em segundo lugar está o Chile com 25%. No Brasil, esse grupo representaria 15,4% da população.

O crescimento das igrejas evangélicas e protestantes - que na Guatemala se chamam apenas "cristãs" - começou em 1976, ano em que um forte terremoto devastou o país.

Várias igrejas com sedes nos Estados Unidos enviaram missões de ajuda. Como resultado, muitos guatemaltecos deixaram a Igreja Católica para se tornaram evangélicos e protestantes.

Anos 80
Os motivos para a conversão são, em grande parte, semelhantes aos que valem para outras partes do mundo, mas a situação da Guatemala nos anos 80 é um fator adicional a levar em conta para entender o auge destas igrejas no país centro-americano.

A Guatemala viveu uma guerra civil entre os sucessivos governos e grupos guerrilheiros de esquerda entre 1960 e 1996. Na década de 80 os confrontos armados ficam mais intensos.

A Igreja Católica da Guatemala, como em outros países da América Central com conflitos semelhantes, denunciou em várias ocasiões as violações dos direitos humanos cometidas por militares. Muitos ativistas católicos eram vistos pelos grupos de poder como aliados da guerrilha.

Neste contexto, segundo os especialistas, os Estados Unidos colocaram em prática um plano para frear o avanço da esquerda na região por meio do estabelecimento de igrejas evangélicas e protestantes que promoveram um modelo de vida americano e serviram de contrapeso à Igreja Católica, muito identificada com as causas sociais.

"100%"
Líderes evangélicos e protestantes guatemaltecos rejeitam esta teoria. "Aqui as coisas são 100% guatemaltecas. Mas enviamos pastores para outros países do mundo", disse à BBC o ex-pastor Harold Caballeros da Igreja El Shaddai.

Caballeros renunciou a seu cargo para entrar na política. Recentemente se lançou como candidato nas eleições presidenciais que ocorrem em setembro.

O caso dele ilustra o avanço evangélico e protestante na Guatemala. De formação católica, Caballeros começou a freqüentar uma igreja protestante depois da conversão da sua atual esposa, a pastora Cecília de Caballeros.

Depois de estudar em seminários teológicos nos Estados Unidos, Caballeros voltou à Guatemala e fundou sua própria igreja. Como muitas outras denominações, a princípio seus fiéis eram escassos, mas, com o passar dos anos, cresceu consideravelmente a ponto de ter dezenas de milhares.

Comunicação
Como no Brasil, os evangélicos sabem usar os meios de comunicação para ganhar mais fiéis. O formato de suas estações de rádio é ágil e tem desenvoltura. Há, inclusive, emissoras destinadas exclusivamente a jovens com paradas de músicas religiosas modernas.

A Igreja Católica, por sua vez, reconhece que ficou atrasada no uso da mídia. Enquanto os evangélicos têm programas quase diários com seus pastores carismáticos, os católicos não têm sequer um canal de televisão de alcance nacional.

Monsenhor Álvaro Ramazzini garantiu à BBC que a Igreja Católica está respondendo com força ao desafio dos evangélicos. O bispo disse que a hierarquia católica está exigindo mais dos sacerdotes, que preparem melhor a administração dos sacramentos e que sejam pessoas mais amáveis. Também está pedindo que os leigos assumam maiores responsabilidades na Igreja.

Para muitos a Igreja Católica "ficou adormecida" apesar de a maré evangélica parecer crescer cada vez mais.

Monsenhor Ramazzini acredita que os evangélicos nunca serão maioria na Guatemala. Em sua opinião, este crescimento alcançou um limite. Existe decepção entre os fiéis evangélicos pela insistência dos pastores no pagamento de dízimos e oferendas, disse o presidente da Conferência Episcopal à BBC.

Por sua vez, o ex-pastor Harold Caballeros se mostra cauteloso quando perguntamos sobre quais fiéis serão maioria no futuro. No momento, o candidato presidencial rejeita a crítica de que as igrejas evangélicas colocam uma carga pesada ao exigir os dízimos.

"Não pedimos nada. Em todo caso, as pessoas têm necessidade de pertencer a algo grande e belo", afirma.

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