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08/05/2007 - 08h09

Papa visita o Brasil com 'fortes mensagens' à região, diz jornal

O papa Bento 16 chega na quarta-feira ao Brasil para sua primeira visita à América Latina trazendo "fortes mensagens" contra a pobreza, a injustiça social, a violência, o aborto e a proliferação das seitas que roubam fiéis da Igreja Católica, segundo afirma reportagem publicada nesta terça-feira pelo diário argentino La Nación.

O jornal cita o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, que adiantou os temas da visita do papa e afirmou que a Igreja Católica acompanha de perto os problemas que afetam a América Latina, mas também vê "grandes sinais de esperança e de recuperação da atividade missionária".

Segundo a reportagem, a dois dias da chegada do papa não se percebia em São Paulo um clima de expectativa, mas sim de indiferença. "Na imensa Catedral da Sé, não se via nem a sombra de uma bandeira do Vaticano, nem uma foto de Bento 16", relata o diário.

Em outra reportagem, o jornal afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentará evitar, em seu encontro com o papa, discutir temas polêmicos, como um pedido do Vaticano para tornar o ensino religioso obrigatório nas escolas e os projetos para a legalização do aborto.

Em um terceiro texto sobre a visita, o Nación comenta as tensões recentes entre a Igreja e governos da América Latina, citando como exemplo as criticas do governo do presidente Néstor Kirchner à cúpula da Igreja na Argentina, os problemas no México com a aprovação da legalização, na capital, do aborto e da união civil entre pessoas do mesmo sexo, e as críticas ao governo chileno pela distribuição gratuita da "pílula do dia seguinte".

No Brasil, observa o jornal, "tanto os bispos como os organismos pastorais questionam a política econômica e pedem mais igualdade". "Também se opõem às campanhas contra a Aids e a gravidez precoce baseadas na distribuição gratuita de preservativos e anticoncepcionais", afirma o texto.

Fuga dos católicos

A viagem do papa ao Brasil também é tema de reportagem publicada pelo diário espanhol El País, que afirma que sua missão será "frear a fuga dos católicos" e "colocar em ação um plano mundial contra o avanço dos evangélicos".

"Joseph Ratzinger fez da luta contra o relativismo um dos eixos de seu trabalho doutrinário, primeiro como cardeal e depois como papa, mas em sua decisão de viajar ao Brasil influiu um fato em princípio oposto a esse relativismo: milhões de brasileiros - e de latino-americanos, principalmente no Caribe - optaram por acreditar, com grande intensidade, em outros cultos, especialmente os pentecostais", afirma a reportagem.

Para o jornal, "tampouco é conjuntural que o principal ato do papa em terras brasileiras seja a inauguração no próximo domingo, em Aparecida, da Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe (Celam), onde se encontrarão os bispos que representam a metade dos católicos do mundo".

"Diante deles, Ratzinger, pouco amigo dos discursos retóricos, marcará as linhas de ação da Igreja Católica na América Latina durante os próximos anos", relata a reportagem.

Êxodo

Reportagem do britânico The Times segue linha semelhante, afirmando que o papa inicia sua visita na quarta-feira "esperando que sua viagem ao Brasil ajude a frear um êxodo dos fiéis para as populistas igrejas evangélicas".

"Ele disse aos seguidores esperar que sua visita possa prover um 'estímulo aos discípulos de Cristo' em um país onde o domínio de séculos da Igreja Católica sobre sobre a população é ameaçado pelo explosivo crescimento dos movimentos carismáticos pentecostais", afirma o jornal.

Para o Times, "muitos ativistas católicos brasileiros podem achar uma ironia na preocupação do papa sobre o crescimento dos evangélicos, já que eles dizem que suas campanhas contra a Teologia da Libertação são parcialmente culpadas pelo crescimento das novas igrejas protestantes".

"Como cardeal Ratzinger, o papa Bento 16 liderou os esforços do Vaticano para erradicar o movimento, dizendo que ele estava infectado pelo marxismo. Nos anos 1980, ele silenciou o teólogo brasileiro Leonardo Boff, que deixou a Igreja", relata a reportagem.

O jornal conclui dizendo que Boff, "que permanece como um pensador influente, diz que a campanha doutrinária do cardeal Ratzinger deixou a Igreja no Brasil olhando para dentro e isolada dos fiéis".

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