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10/05/2007 - 08h06

Tony Blair anuncia renúncia após 10 anos no poder

BBC Brasil
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Tony Blair e a esposa, Cherie, chegaram andando à residência oficial do primeiro-ministro em Downing Street no dia 2 de maio de 1997. Aos 43 anos, ele se tornou o premiê mais jovem da nação desde 1812.
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O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, anunciou que vai renunciar como líder do Partido Trabalhista e do cargo de premiê.

Blair disse que deixará o cargo no dia 27 de junho. Em discurso em seu reduto eleitoral, no condado de Sedgefield, onde foi recebido por partidários em uma atmosfera de festa, Blair falou sobre os dez anos em que esteve no poder: "Fiz o que achava que era certo para o país".

"Acho que foi longo suficiente para mim, mas, mais especificamente, para o país", disse, arrancando risadas da platéia. "Tive muita sorte e fui abençoado."

"Em 1997 as expectativas eram altas, talvez altas demais", disse ao fazer um balanço dos seus três mandatos. "Agora há mais empregos, melhor saúde e educação, menos crimes."

O ministro da Economia, Gordon Brown, é o grande favorito para substituí-lo. Segundo uma fonte do governo, durante a reunião com o gabinete, nesta manhã, Brown prestou uma homenagem a Blair.

"Gordon Brown fez um tributo curto mas muito comovente à liderança de Tony Blair, não apenas no Partido Trabalhista e no Reino Unido, mas também no mundo", contou uma fonte à BBC.

Para Blair, o Reino Unido é agora "um confortável país no século 21, orgulhoso de seu passado e confiante em seu futuro. Esta é a melhor nação da Terra", disse o premiê.

Blair reconheceu que suas decisões foram muitas vezes polêmicas, como a intervenção no conflito em Serra Leoa, mas afirmou: "Há obviamente críticas a serem feitas sobre o meu governo e cabe a vocês, a população, fazê-las".

O primeiro-ministro defendeu ainda a aliança com os Estados Unidos, após os ataques de 11 de setembro de 2001 seguidos pelas invasões do Afeganistão e do Iraque.

"Os terroristas nunca desistiriam", destacou. "Não podemos falhar."

Legado
Tony Blair foi um dos primeiros-ministros britânicos mais populares no país.

Entre 1994 e 2002, o premiê gozava de uma popularidade nunca antes registrada por seus antecessores.

Popularidade que começou a ruir, contudo, após a guerra no Iraque - conflito que estará sempre associado ao seu nome.

Blair foi eleito líder do Partido Trabalhista em 21 de julho de 1994 e, desde 1º de maio de 1997, ocupa o cargo de primeiro-ministro da Reino Unido - o trabalhista a ficar mais tempo no poder.

Jovem, educado (formado em Direito pela Universidade de Oxford, onde tinha uma banda de rock), entusiasmado e conhecido pela excelente oratória, Blair ajudou a renovar o partido.

Arquiteto da chamada Terceira Via, sua missão de tornar o Partido Trabalhista mais elegível foi um sucesso: foram três mandatos consecutivos com duas vitórias avassaladoras em 1997 e 2001 e uma maioria saudável em 2005.

Mas três projetos políticos que defendeu ao longo dos três mandatos não foram finalizados: a reconfiguração da centro-esquerda britânica, a entrada do Reino Unido na Zona do Euro e o estabelecimento do processo de representação proporcional, em que o número de cadeiras no Parlamento dado a um partido político reflete o número de votos em todo o país.

Economia
Sob seu governo, a economia do país cresceu constantemente, registrando baixos níveis de inflação, taxas de juros e desemprego - legado, no entanto, do seu ministro da Economia, Gordon Brown, que sempre fez questão de manter sua independência na pasta.

Robert Peston, biógrafo de Brown, conta que o orçamento da União só era enviado ao gabinete de Blair horas antes de ser divulgado no Parlamento.

Em relação aos serviços públicos no Reino Unido, embora tenha ocorrido um certo progresso em alguns setores, Blair deixa um legado de frustração, em especial na área de saúde.

O premiê deixará para trás serviços públicos com altos níveis de investimento para padrões internacionais, mas sem um alto nível de serviço. Um problema para o seu sucessor.

Seu esforço para a conclusão do processo de paz na Irlanda do Norte, firmado no Acordo de Sexta-Feira Santa, de 1998, deverá ser lembrado como uma de suas conquistas.

Guerras
Ao contrário da maioria de seus antecessores, Blair se expôs amplamente - talvez seguro pela habilidade de discursar em público, seja de improviso.

Foram inúmeros debates, às vezes cercado por adolescentes, coletivas de imprensa mensais, participações em diversos programas de televisão e rádio, noticiosos ou até mesmo comédias, além de horas de perguntas e respostas no Parlamento.

Durante os dez anos em que esteve no poder, Blair envolveu as forças britânicas em cinco conflitos: Iraque (1998), Kosovo (1999, foi recebido como herói ao visitar um campo de refugiados), Serra Leoa (1999), Afeganistão (2001) e Iraque (2003).

O último conflito, envolvendo 46 mil soldados britânicos, foi o mais contestado. Em discurso no Parlamento, justificando a invasão, o primeiro-ministro disse que o Iraque poderia usar armas de destruição em massa em 45 minutos. Informação de inteligência que acabou não sendo comprovada, levando a um inquérito.

Durante a investigação, Blair afirmou que a principal alegação contra ele - de que teria se envolvido em uma manobra para persuadir membros dos serviços de inteligência a exagerar o conteúdo do dossiê sobre armas do Iraque - era "completamente absurda".

Embora a morte de 130 soldados britânicos e o custo de 6,5 bilhões de libras (dados de janeiro de 2007) possam ser considerados modestos por historiadores no futuro, o impacto na política britânica foi significativo.

A rebelião de 139 parlamentares trabalhistas, em 18 de março de 2003, contra o conflito foi histórica.

A aliança com o presidente americano George W. Bush certamente abalou a popularidade de Blair e do Partido Trabalhista.

Na sociedade britânica, jovens muçulmanos demonstraram-se cada vez mais desiludidos e há um receio de uma certa fragmentação e um descrédito na classe política em geral.

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