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12/05/2007 - 10h44

Jornal vê 'pessimismo extraordinário' em discurso do papa

BBC Brasil
Uma matéria publicada neste sábado no jornal italiano La Repubblica avalia que o papa Bento 16 demonstrou "extraordinário pessimismo" ao se reunir com bispos brasileiros, em São Paulo.

Em um discurso de "tintas escuras", na definição do jornal, o papa "pintou o mundo mau que agride a fé e atenta contra o celibato sacerdotal".

"Uma sombria tormenta balança a Igreja. Terríveis leis atacam a santidade da família, e as uniões civis a desintegram. Os jornais e a TV fazem graça do casamento e da virgindade", seria o cenário desenhado por Bento 16, no entender do La Repubblica.

"A culpa é da sociedade moderna e seus quatro cavaleiros do apocalipse: o agnosticismo, o relativismo, o laicismo e o consumismo, destruidores dos valores morais e da tradição bíblica. E há um quinto: os meios de comunicação em massa."

Segundo o jornal, "o papa falou ao episcopado brasileiro, mas o seu discurso vai mais além. Vale para a América Latina, a Europa, a Itália, onde a hierarquia eclesiástica se empenha em evitar a aprovação de uma lei que trate de casais de fato".

'Puxão de orelha'
Outros jornais da imprensa internacional notaram a dureza do discurso do papa. O espanhol El País disse que o pontífice deu "um verdadeiro puxão de orelhas" nos bispos brasileiros que o escutaram em São Paulo.

"Joseph Ratzinger foi direto e ordenou aos mais de 300 prelados que formam a Conferência Episcopal Brasileira que defendam a família, deixem questões ideológicas de lado e contenham o avanço das seitas evangélicas que disputam espaço nos grandes focos de pobreza que existem no Brasil", diz a matéria.

O também espanhol El Mundo destacou que o "furioso discurso" de Bento 16 instou a Igreja brasileira "a se voltar para a ajuda (não apenas espiritual, mas também material) aos pobres, e para a promoção de uma sociedade mais equilibrada em termos de distribuição de riqueza".

Mas o Diário de León, da província central espanhola, avaliou que o papa terá dificuldades em ser obedecido "no país mais sensual da América".

"A julgar pelos discursos oficiais e pesquisas de opinião sobre a sexualidade, o sermão papal pode ter caído em um saco furado", disse o jornal, que descreve o Brasil como um país "onde a sexualidade está presente 24h por dia".

Disputa
O americano Washington Post também sublinhou o desafio do papa, que tenta reduzir "o maior abismo entre a hierarquia da Igreja e um país com reputação de tolerância (sexual)".

O jornal afirma, entretanto, que tal reputação "tem pouco a ver" com a perda de fiéis por parte do Catolicismo.

"Uma onda crescente de pentecostalismo evangélico é fortemente responsável (pela perda de fiéis católicos), e os membros destas Igrejas são normalmente mais conservadores em questões sexuais que os Católicos", observa o Post.

É no contexto da disputa por fiéis que o The New York Times enxerga a canonização do Frei Galvão.

"Os grupos pentecostais que têm crescido com força desaprovam o foco nos santos, que percebem como uma idolatria proibida pela Bíblia", disse o jornal.

Nesse sentido, a canonização de Frei Galvão teria sido "uma maneira de marcar um tradicional território Católico e diferenciar a Igreja de suas rivais".

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