UOL Notícias Notícias
 

13/05/2007 - 14h52

EUA querem evitar metas sobre clima em reunião do G8

Richard Black
Os Estados Unidos querem bloquear partes de uma proposta de acordo sobre a mudança climática preparada para um encontro do G8 (o grupos das sete economias mais industrializadas do planeta e a Rússia), que acontece no mês que vem.

Washington faz objeção às metas da proposta de limitar em 2ºC o aumento da temperatura global neste século, e cortar pela metade, até 2050, as emissões de gases que causam o efeito estufa.

O texto, preparado pela Presidência alemã do G8, diz que é "imperativo" tomar ações para conter o avanço da mudança climática.

Com as ações no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU) tentando avançar além do Protocolo de Kyoto - que os Estados Unidos se recusaram a ratificar - o encontro do G8 está sendo visto como uma oportunidade importante para retomar o 'gás' político.

A chanceler alemã Angela Merkel fez da mudança climática um tema prioritário nos preparativos para o encontro, com o apoio de outros líderes, entre os quais o primeiro-ministro britânico, Tony Blair.

Europa e Japão
A União Européia, que inclui metade dos membros do G8, já adotou compromissos para garantir que o aumento da temperatura não supere os 2ºC neste século.

Outra meta importante é chegar a 2020 com níveis de emissão de gases que causam o efeito estufa 20% abaixo dos níveis de 1990.

Veículos de comunicação japoneses noticiaram recentemente que o governo do primeiro-ministro, Shinzo Abe, também pretende pressionar os membros do G8 por metas mais rigorosas.

Em discussões preparatórias entre os representantes dos países que participarão do encontro, no entanto, os negociadores americanos têm deixado clara sua oposição a diversos componentes da proposta.

Além de rejeitar mencionar as metas de aumento da temperatura global e emissão de gases-estufa, Washington também quer remover uma seção que reconhece a ONU como "o fórum apropriado" para a elaboração de um acordo global sobre o tema.

Acordos voluntários
O governo do presidente George W. Bush tem defendido acordos voluntários como uma estratégia alternativa. Os Estados Unidos são, por exemplo, um ator central na Parceria Ásia-Pacífico sobre Desenvolvimento Limpo e Clima, um pacto de seis nações que promete reduzir a emissão de gases sem estabelecer metas.

Funcionários do governo americano também questionam a defesa que a proposta faz de um mercado de carbono. Muitos observadores acreditam que tal mercado só poderia ser eficiente se forem estabelecidos limites às emissões.

"Acho que o verdadeiro objetivo (dos negociadores americanos) não é apenas abafar (as negociações) e evitar que algo seja feito enquanto Bush estiver no poder, mas também minar um acordo pós-Kyoto para depois que ele sair", disse Philip Clapp, presidente da organização ambiental americana National Environment Trust, que viu as emendas propostas pelos EUA.

"Está nas mãos do primeiro-ministro Tony Blair e da chanceler Ângela Merkel definir se tudo serão luzes e doçura, ou se eles se levantarão e dirão 'desculpe, mas todo o mundo está caminhando em uma direção diferente da sua'."

Em 2005, os preparativos para o encontro do G8 em Gleneagles também começaram com uma proposta sobre a mudança climática que perdeu força à medida que as discussões continuaram.

À época, os líderes preferiram chegar a um acordo frágil que não chegar a acordo nenhum.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    11h49

    0,25
    3,341
    Outras moedas
  • Bovespa

    11h50

    0,72
    61.200,56
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host