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13/05/2007 - 13h05

"Política" norteia escolha de delegados para evento de bispos

Valquiria Rey
De Roma
Disputas políticas marcaram a definição dos participantes brasileiros da 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe.

Os principais problemas na hora de fechar a relação das 266 pessoas que participam da Assembléia de Aparecida - entre 162 membros, 81 convidados, oito observadores e 15 peritos (teólogos e sociólogos) -, foi a opção da Cúria Romana em não levar em consideração nomes escolhidos pela representação de leigos e de diáconos.

Em vez disto, movimentos com menos de dois mil integrantes foram privilegiados em detrimento de setores amplos da Igreja, alguns com mais de dois milhões de membros, como as Comunidades Eclesiais de Base.

O Conselho Nacional de Leigos - que reúne todas as organizações de leigos do país - sugeriu quatro nomes para a lista de convidados e o Vaticano não escolheu nenhum deles. O mesmo problema aconteceu com os indicados pelo Conselho Nacional dos Diáconos, motivando grande gritaria.

Em parte, o problema foi amenizado com o acréscimo de dois novos nomes, elevando de 266 para 268 o número de participantes, e mais uma alteração no regulamento.

Há dez dias, foi nomeado o presidente do Conselho Nacional dos Leigos e, há três dias, uma representante das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

O regulamento já tinha sido alterado anteriormente para contemplar a participação de seis integrantes de movimentos e comunidades católicas na conferência de Aparecida - o que também motivou algumas críticas, porque estes grupos já estariam contemplados na quota de participação dos leigos e outros convidados.

Força conservadora
Com a modificação, grupos conservadores como Schöenstatt e Comunhão e Libertação ganharam mais peso na assembléia.
A comunidade católica Shalom, nascida em Fortaleza, com pouco mais de 1,5 mil integrantes e reconhecida há pouco pela Santa Sé, está na lista dos movimentos nomeados pelo papa.

Outra crítica à composição dos participantes é a escassa representação feminina, com menos de 30 mulheres.

"A ausência de mulheres é quase uma tradição porque, para a Igreja institucionalizada, elas são importantes para o trabalho de base, mas não para participar das decisões", disse um integrante do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam), lamentando a falta também de representantes da teologia pastoral, a parte mais viva da Igreja, como a pastoral dos índios, dos negros, dos sem-terra, entre outros.

Todos os participantes - bispos delegados, convidados, observadores e assessores - tiveram seus nomes referendados pelo papa.

Têm direito a voz e voto 162 bispos, considerados membros da assembléia: 93 delegados escolhidos por cada episcopado, os 22 presidentes das conferências episcopais da América Latina e do Caribe e os 14 cardeais com menos de 80 anos.

Além disso, votam os três presidentes e dois secretários da conferência, a Presidência do Celam e da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL), o secretário geral do Sínodo dos Bispos, os três núncios apostólicos, representantes de conselhos de conferências episcopais e oito bispos de outras conferências episcopais convidadas pelo papa.

Os convidados terão direito apenas a voz. Entre eles há bispos, presbíteros, religiosos e fiéis leigos de diferentes países latino-americanos.

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