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17/05/2007 - 08h59

Real vive 'lugar ao sol', diz 'Financial Times'

da BBC
A moeda brasileira está aproveitando seu "lugar ao sol", afirma título de reportagem do diário Financial Times publicada nesta quinta-feira, sobre a forte valorização verificada na véspera por moedas de países emergentes.

O jornal observa que o real teve a maior valorização entre as principais moedas emergentes, que tiveram "uma série de recordes de alta diante do dólar ontem".

A reportagem comenta que as valorizações ocorreram após os dados divulgados na terça-feira pelos Estados Unidos que mostraram uma inflação abaixo do esperado, aumentando o apetite dos investidores por mercados emergentes, considerados mais arriscados.

Além disso, observa o FT, a alta do real foi impulsionada pelo aumento da avaliação do Brasil pela agência de crédito Standard & Poor's.

Analistas consultados pelo jornal afirmam que a tendência de valorização do real deve continuar, apesar das compras de dólares pelo Banco Central para tentar limitar o fluxo de dólares para o mercado interno.

'Efeito Brasil'

A valorização do real e os dados econômicos positivos para os países emergentes ajudaram a valorizar os títulos da dívida argentina na quarta-feira, segundo o diário La Nación, que qualificou o impacto sobre o mercado local de "efeito Brasil".

Segundo o jornal, "o nível que alcançaram os preços de quase todos os títulos brasileiros e o forte diferencial de rendimentos acumulados em relação aos títulos argentinos estariam levando alguns fundos de investimento a escolher entre os dois mercados e a alocar parte dos ganhos obtidos no Brasil para a compra de ativos argentinos".

O diário argentino comenta que "o real subiu quase 7% diante do dólar desde janeiro, após se valorizar quase 9% em 2006 por causa do constante fluxo de divisas ao maior país da América do Sul, que segue aumentando suas exportações e apresenta uma perspectiva de crescimento maior do que a esperada".

Outra reportagem publicada pelo Nación, porém, afirma que o governo argentino deve questionar, em um seminário em Washington nesta quinta-feira, a estratégia do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não intervir para conter a valorização da moeda.

Segundo o jornal, "o subsecretário de Política Econômica, Martín Abeles, encarregado da apresentação oficial, expressará que 'para países em desenvolvimento, como a Argentina, o mais lógico é manter o tipo de câmbio competitivo e acumular reservas internacionais para enfrentar o efeito contágio dos mercados financeiros internacionais".

"Esta mensagem se difundirá em um momento-chave, já que o real segue sua marcha ascendente frente ao dólar por causa do forte ingresso de capitais no Brasil e a decisão do governo Lula de não deter essa avalanche, somente moderá-la", diz a reportagem.

"A Argentina insiste na estratégia oposta: manter o tipo de câmbio alto apesar da chuva de dólares que cai sobre a região e das fortes pressões inflacionárias", afirma o jornal.

Outros destaques

A condenação do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura como mandante do assassinato da freira americana Dorothy Stang, no Pará, em 2005, voltou a ganhar destaque nesta quinta-feira em alguns jornais internacionais.

Para o diário espanhol El País, a condenação pode ser "o começo do fim da impunidade".

O jornal afirma que a condenação do fazendeiro, conhecido como Bida, "fecha o círculo de investigações que se originaram de um caso que comoveu a opinião pública brasileira e que levou o presidente Lula a enviar o Exército ao Pará para acabar com a impunidade com a qual atuam na região os madeireiros, garimpeiros e outros homens convertidos em depredadores da Amazônia".

"A condenação de Bida foi celebrada até mesmo pela Ordem dos Advogados do Brasil no Pará, que qualificou de histórica a sentença e reafirmou a frustração nos advogados e no povo em geral provocada pelo fato de os cérebros desse tipo de delito ficarem impunes. Até agora", conclui o jornal.

O britânico The Times afirma que a condenação é "um raro caso de Justiça sendo feita" na região amazônica e destaca as declarações do advogado do fazendeiro de que a freira "foi responsável por sua própria morte por causa de suas 'ações criminosas' em apoio aos pobres da região".

O jornal comenta que, de cerca de 800 casos de assassinatos envolvendo disputas de terra na região nos últimos 30 anos, "somente quatro pessoas foram condenadas como mandantes, e nenhuma delas está na cadeia".

Para o Times, o processo contra Moura "era visto como um teste para o comprometimento do Brasil em acabar com a terra sem lei na região amazônica.

"Por décadas, madeireiros e fazendeiros usaram títulos de terra forjados ou obtidos por corrupção e a conivência com políticos locais para abocanhar vastas porções da floresta, que eles exploram brutalmente para extração de madeira ou para criação de gado", diz a reportagem.

O jornal observa que "eles rapidamente recorrem à violência quando pequenos agricultores de subsistência aparecem em seu caminho".

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