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25/05/2007 - 16h10

Pré-candidato favorito no Paraguai quer levar acordo de Itaipu à Justiça

Denize Bacoccina
De Brasília
O ex-bispo católico Fernando Lugo, pré-candidato de oposição e favorito nas eleições presidenciais de abril do ano que vem no Paraguai, disse à BBC Brasil que, se for eleito, pode até recorrer a tribunais internacionais para tentar mudar o Tratado de Itaipu.

"Vamos dar todos os passos jurídicos, locais, regionais e internacionais. Se localmente não houver uma solução, creio que há esferas judiciais internacionais", afirmou em entrevista por telefone, de Assunção.

O Paraguai quer que o Brasil pague preço de mercado pela energia gerada pela usina binacional. Pelo tratado atual, a parcela que caberia ao Paraguai, mas não é consumida, tem de ser vendida ao Brasil pelo preço de custo.

Lugo é o favorito nas pesquisas - uma publicada na semana passada pelo jornal paraguaio Última Hora mostra que ele tem 40% das intenções de voto - mas ainda não tem a candidatura assegurada porque a Constituição do Paraguai diz que religiosos não podem se candidatar a cargos públicos.

Ele já renunciou à condição de bispo em dezembro do ano passado, mas a Justiça Eleitoral ainda não deu seu parecer definitivo sobre a legalidade da candidatura.

BBC Brasil - Durante a visita do presidente Lula, o presidente Nicanor Duarte Frutos pediu a revisão do Tratado de Itaipu e o presidente Lula disse não. Qual é a sua opinião?

Fernando Lugo - Eu penso que para rever o Tratado, é preciso a vontade das duas partes. Se o Brasil diz que não há necessidade, então não há o que fazer. Por mais que o Paraguai possa tentar todos os passos jurídicos para que este Tratado seja reconsiderado.

BBC Brasil - Se o senhor for eleito, vai tentar revisar o Tratado?
Lugo - Vamos dar todos os passos jurídicos, locais, regionais e internacionais. Para isso há instituições internacionais - como o Panamá, com o canal, que recorreu a Haia, se for necessário. Se localmente não houver uma solução, creio que há esferas judiciais internacionais.

BBC Brasil - Isto é parte de seu plano de governo?
Lugo - Não, mas é parte da opinião pública. Que o Tratado é injusto, falta equidade. Então se é pedido da sociedade, acredito que os governantes deveriam levantar esta bandeira e tornar realidade o que estão pedindo.

BBC Brasil - Em seu plano de governo, como aparece Itaipu e como aparece a relação com o Brasil?
Lugo - Nós queremos uma relação fraterna, solidária, justa com todos os países. E uma boa relação especialmente com os vizinhos. Mas marcada pela equidade e sobretudo pela justiça.

BBC Brasil - O senhor deve ter visto o editorial do jornal ABC Color, dizendo que o Brasil é um país imperialista e explorador. Como o senhor avalia a relação entre os dois países, é injusta?

Lugo - Eu considero que o Tratado é injusto. Foi assinado há 34 anos. E o fato de ter que fornecer energia ao outro sócio a preço de custo e não a preço de mercado é um dos aspectos. A Venezuela dá seu petróleo a preço de mercado, Chile seu cobre a preço de mercado, Bolívia seu gás a preço de mercado e Paraguai dá sua energia a preço de custo. Isso que nós consideramos injusto.

BBC Brasil - Se o senhor vencer as eleições, acha que as relações com o Brasil podem piorar?
Lugo - Não, com certeza vão melhorar. Desde que as bases sejam uma relação justa e equtativa e solidária.
BBC Brasil - Em entrevista na semana passada com jornalistas paraguaios o presidente Lula disse que no Brasil religiosos podem ser políticos, o que foi interpretado pela imprensa paraguaia como um ato de apoio à sua candidatura. Como o senhor viu estas declarações?

Lugo - Cada país é diferente. Eu renuncei ao meu ministério episcopal e a nossa compreensão é que eu estou habilitado para ser candidato. Vejo (a manifestação de Lula) como uma manifestação que confirma o que nós pensamos.

BBC Brasil - O senhor acha que o exemplo da Bolívia pode ser utilizado pelo Paraguai?
Lugo - Cada país é diferente. Bolívia é diferente de Paraguai. A relação que temos com o Brasil é uma relação de cooperação mútua e queremos melhorar isso cada dia.

BBC Brasil - E como o senhor se coloca nesta nova onda de governantes, chamada de nova esquerda da América Latina: Hugo Chávez, na Venezuela, Evo Morales na Bolívia, Rafael Correa no Equador?

Lugo - Cada país é diferente. Evo dá um ingrediente étnico ao seu governo, Correa é mais popular, não tem parlamentares, Chávez é diferente. Acho que o Paraguai terá seu próprio processo e fazer política e de ser governo.

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