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03/06/2007 - 12h26

Futebol e Bollywood mostram variedade da pauta Brasil-Índia

De Pablo Uchoa

Enviado especial a Nova Déli
A inclusão de temas como futebol e os filmes de Bollywood demonstram a amplitude da agenda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encampa aqui em Nova Délhi, durante sua estada de três na capital indiana.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, assinará com o Ministro da Informação e da Difusão indiano, Shri Dasmunsi, um acordo para facilitar a co-produção de filmes entre Brasil e China, estabelecendo normas, instrumentos e incentivos para as iniciativas.

O secretário de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores da Índia, R. Viswanathan, diz que a parceria quer incentivar filmes como Tamarindo, da Ana Cristina Costa e Silva, realizado a partir de um roteiro indiano.

A indústria nacional, apelidada de Bollywood, é celebrada mundialmente por suas superproduções que conjugam música, dança e qualidade plástica e técnica.

O Brasil, por outro lado, chega à Índia trazendo representantes da principal união de clubes de futebol do país, o chamado Clube dos 13. Membros da entidade estão em Nova Délhi para discutir um acordo com a All India Football Federation, a recém-criada liga deste país de pouca tradição futebolística.

A idéia dos indianos é encontrar sócios para firmar possíveis acordos de intercâmbio de técnicos e jogadores nos próximos anos, como uma maneira de elevar o status do esporte que já parece ter conquistado seu espaço cativo em mercados asiáticos antes considerados pouco importantes, como Japão e Coréia do Sul.

A pouca familiaridade indiana com o esporte do Rei Pelé ficou exposta no entusiasmo de um taxista ao descobrir que este repórter era brasileiro: "Brasil! Futebol! Maradona!".

Cidadão comum

Com muito potencial e poucas iniciativas, a variedade dos assuntos que ocupa a pauta de cooperação com a Índia é de fato tão grande que suscita o entusiasmo das autoridades indianas.

Em sua sala onde recebeu a reportagem da BBC Brasil ao som de Sandy e Roberta Miranda, o secretário R. Viswanathan - que diz ter se apaixonado pelo Brasil nos quatro anos que viveu em São Paulo, entre 1996 e 2000 - diz que a Índia olha para o Brasil com "admiração".

"O Brasil se tornou um país democrático, sem extremos, diferente, por exemplo, da Venezuela. O Brasil é a favor do mercado e ainda assim encampa uma agenda inclusiva e em favor dos pobres", diz ele.

"Agora, o Brasil exerce sua diplomacia na África e na Ásia, e até Estados Unidos e União Européia querem ser aliados estratégicos do Brasil", afirmou, referindo-se à intenção americana de estabelecer iniciativas na área de biocombustíveis e à proposta européia de elevar o status do Brasil à categoria de "parceiro estratégico".

De forma semelhante, funcionários do Itamaraty e de seu equivalente indiano não escondem que existe o desejo de estabelecer uma agenda ampla entre dois países que o mundo já percebe de maneira semelhante, como mostra a disseminação do termo Bric, que agrupa os emergentes Brasil, Índia, Rússia e a China.

Genéricos

Viswanathan diz que a área farmacêutica - onde a Índia se destaca pela fabricação de medicamentos a baixo custo - mostra que esta agenda extrapola o campo puramente comercial, marcada por negócios bilionários, e alcança também o cidadão comum.

Segundo ele, empresas indianas já fabricam o equivalente a US$ 200 milhões em medicamentos genéricos para o Brasil, beneficiando a saúde da população mais pobre.

"Quando cheguei ao Brasil, quase não havia genéricos, e hoje a política de genéricos é mundialmente famosa. Ficamos felizes de fazer parte dela."

Recentemente, o governo brasileiro quebrou a patente de um medicamento da farmacêutica americana Merck e a concedeu a uma empresa indiana, que fabrica o mesmo produto a um preço 30% mais baixo.

Outros documentos a serem assinados ainda nesta viagem tentam buscam proporcionar iniciativas para que cidadãos de um país "mergulhem" na vida do outro.

Um é um memorando de entendimento entre o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e seu equivalente indiano, o Conselho Nacional para Pesquisas Econômicas Aplicadas, e outro é um acordo entre a agência de fomento Capes e seu equivalente indiano.

Ambos os documentos têm por objetivo incentivar e facilitar pesquisa sobre Brasil e Índia em cada país.

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