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04/06/2007 - 08h58

Lula faz mais que Chávez para mudar o mundo, diz 'Guardian'

da BBC
Um editorial publicado nesta segunda-feira pelo diário britânico "The Guardian" afirma que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez,"vem animando muita gente de esquerda com sua dramaticidade, mas que é o multilateralismo considerado de Lula que fará mais para mudar o mundo".

O editorial, intitulado "Duas visões de progresso", comenta que "ambos são progressistas radicais, eleitos (e reeleitos no ano passado com amplas maiorias) pelos pobres em sociedades marcadas pelas terríveis variações em oportunidades".

O texto afirma, porém, que eles "não poderiam ser mais diferentes na maneira como fazem seu trabalho".

Relatando as recentes trocas de farpas envolvendo as críticas do Congresso brasileiro a Chávez e as respostas do presidente venezuelano, o jornal diz que "apesar dos insultos de Caracas, o Brasil não é um bichinho de estimação dos Estados Unidos".

"Lula se envolveu com o sistema político internacional ao invés de desafiá-lo", diz o jornal. "Dessa maneira, ele se portou melhor do que tanto Bush quanto Chávez, ambos, em diferentes maneiras, unilateralistas assumidos", diz o editorial.

Entrevista

O Guardian também publica em sua capa nesta segunda-feira uma entrevista exclusiva com Lula, na qual o presidente brasileiro rejeita as propostas dos Estados Unidos para negociações sobre o combate ao aquecimento global.

Na entrevista, feita durante a passagem de Lula por Londres antes de seguir viagem à Índia, o presidente brasileiro afirma que os países devem chegar a um acordo sobre a questão nas Nações Unidas e não sob a liderança dos Estados Unidos.

"Em uma rara entrevista com um jornal britânico, Lula disse ao Guardian que o Brasil, um país em rápido desenvolvimento cujo apoio é crítico para um acordo global sobre cortes de emissões, não havia nem mesmo sido informado de que Bush estava contemplando um novo fórum de discussão, antes de o presidente americano fazer seu anúncio, na quinta-feira", diz a reportagem.

O jornal afirma que Bush vem cultivando Lula como um aliado, visto como uma alternativa ao radicalismo representado por Cuba e Venezuela e que ambos "dividem o entusiasmo pelo potencial dos biocombustíveis", mas que ambos discordam sobre as políticas climáticas mais gerais.

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