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05/06/2007 - 13h12

Entenda a tensão entre Rússia e EUA

da BBC
O presidente da Rússia Vladimir Putin ameaçou retaliar contra uma proposta dos Estados Unidos de construir instalações de defesa antimísseis no Leste Europeu.

Putin disse que essas eventuais instalações com mísseis na Europa poderiam se transformar em alvos de ataques russos.

O presidente americano, George W. Bush, por sua vez, disse que a Rússia não teria nada a temer dos mísseis americanos e da OTAN, pois os alvos seriam países hostis como o Irã e a Coréia do Norte.

Esse episódio esquentou os ânimos e pareceu aumentar a tensão entre a Rússia e os EUA, à véspera do encontro dos países do G8 na Alemanha.

Entenda os interesses em jogo.

O que os Estados Unidos estão propondo?

Os Estados Unidos querem construir um sistema que vai permitir a interceptação de mísseis balísticos. Esse sistema envolve radares estacionários no Alasca e na Califórnia, nos Estados Unidos, e em Fylingdales, na Grã-Bretanha. Outro radar está planejado para a Groenlândia.

Mísseis antimísseis, ou interceptadores, estão sendo colocados no Alasca (40 deles) e Califórnia (quatro) e o plano é colocar dez deles na Polônia com um radar associado na República Checa.

O sistema também prevê a instalação, em navios, de 130 mísseis interceptadores. Os interceptadores funcionam acertando fisicamente o míssil balístico.

Por que no Leste Europeu?

Os Estados Unidos afirmam que existe uma falha em seu sistema de defesa antimísseis. Uma ameaça da Coréia do Norte poderia ser enfrentada com os sistemas americanos marítimos. Mas os aliados europeus ou forças americanas na Europa poderiam ser ameaçados pelo Irã, segundo o governo americano, ou até por outro país. Então existe também, segundo os EUA, a necessidade de um sistema baseado na Europa.

Por que os russos não gostaram do plano?

Eles afirmam que o plano para desenvolver o sistema no Leste Europeu ameaça seus próprios mísseis. Essa ameaça coloca em cheque a doutrina de distensão que vem marcando as relações entre EUA e Rússia desde o fim da União Soviética e da chamada Guerra Fria. Os russos alegam que os planos atuais podem parecer modestos e pouco ameaçadores - mas temem que eles pudessem ser o início de um projeto mais ambicioso.

Como os russos podem reagir?

O presidente Vladimir Putin ameaçou tomar medidas como escolher "novos alvos", como ele disse, na Europa. Pode-se presumir que estes "novos alvos" incluam dois locais escolhidos para o sistema antimísseis. Esta nova corrida armamentista, segundo Putin, aumentaria o risco de uma guerra nuclear na Europa. Ele disse também querer que o envio de armas para o sistema proposto pelos Estados Unidos seja paralisado. A Rússia anunciou o teste de um novo míssil de ogivas múltiplas, o RS-24, que visaria a superar barreiras de defesa antimísseis e também está desenvolvendo novos mísseis de longo alcance.

Qual a razão de Putin ter se pronunciado agora?

Observadores acreditam que o presidente russo está preocupado com questões mais abrangentes do que apenas suspender este sistema de defesa. A atuação dele no poder tem favorecido políticas mais nacionalistas que as do antecessor, o presidente Boris Yeltsin, visto na Rússia como um presidente que cedeu demais ao ocidente. Então, em uma série de questões, o presidente Putin está tentando fazer com a influência russa faça diferença.

Qual a razão de os Estados Unidos afirmarem que os russos não deveriam se preocupar?

Os Estados Unidos afirmam que dez interceptadores na Polônia e o radar na República Checa não poderiam prejudicar qualquer míssil balístico da Rússia. "Você não vai enfrentar as centenas de (mísseis) ICBMs russos e as milhares de cargas explosivas de mísseis que estão representadas por aquela frota com dez interceptadores em um campo na Europa", disse o general americano Henry Obering, chefe da Agência de Defesa de Mísseis americana. O general também afirma que o radar seria pequeno demais para rastrear mísseis russos de forma eficaz.

O Irã tem mísseis capazes de alcançar a Europa ou os Estados Unidos?

"O Irã atualmente tem a capacidade de usar mísseis balísticos e/ou foguetes de artilharia de longo alcance contra seus vizinhos regionais, Israel e forças americanas enviadas à região", disse a consultoria especializada americana Nuclear Threat Initiative. "Dadas as condições favoráveis, o Irã atualmente está no caminho para estender o alcance dos seus mísseis balísticos para chegar ao sul da Europa, ao norte da África e ao sul da Ásia entre 2005-2010 e, possivelmente, os Estados Unidos, em 2015."

Que acordo internacional cobre estas medidas?

Nenhum. Os Estados Unidos se retiraram do Tratado Antimísseis Balísticos em 2001. Esse tratado limitava as defesas antimísseis dos Estados Unidos e soviéticas a uma base para cada um. Os russos ainda operam a deles, nos arredores de Moscou. Os Estados Unidos escolheram montar uma defesa para os seus foguetes estratégicos no Estado de Dakota do Norte, mas esta defesa já foi desativada. Parte da insatisfação da Rússia a respeito do setor europeu do sistema antimísseis é que este sistema resulta da retirada dos Estados Unidos do tratado, e a Rússia teme o que os Estados Unidos possam fazer depois.

Os Estados Unidos afirmam que a Rússia não deveria se preocupar.
Este é o começo de uma nova Guerra Fria?


Certamente é um período difícil onde a desconfiança e o antagonismo prevalecem. As esperanças de que os Estados Unidos e a Rússia poderiam se transformar em aliados amigáveis ainda não se concretizaram. Em vez disso, existe a suspeita de que o antagonismo continue, mas chamar este episódio de uma nova Guerra Fria é, provavelmente, um exagero. O presidente Putin deixa o cargo no próximo ano, e Bush no começo de 2009, então muito vai depender dos sucessores dos dois presidentes.

Quais mísseis balísticos os Estados Unidos e Rússia ainda têm?

Eles reduziram dramaticamente os arsenais desde os tempos da Guerra Fria, mas ainda têmvários milhares de mísseis e várias ogivas nucleares à disposição. Sob o Tratado Estratégico de Reduções Ofensivas (SORT, na sigla em inglês), assinado pelos presidentes Bush e Putin em 2002, cada lado precisa reduzir suas ogivas explosivas para um máximo de 2,2 mil até 2012.

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