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28/06/2007 - 08h25

Paraguai recebe presidentes de 'Mercosul inútil', diz jornal

O principal jornal paraguaio, o ABC Color, criticou duramente nesta quinta-feira a reunião de cúpula do Mercosul, que tem início na capital do país, Assunção, trazendo em sua capa, sob a manchete "Chegam os presidentes de um Mercosul inútil", um editorial de página inteira no qual acusa Brasil e Argentina, os principais sócios do bloco, de violar a soberania do Paraguai.

"Nas últimas décadas, a Argentina e o Brasil, no mais absoluto desprezo pela soberania paraguaia, vêm aplicando políticas infames de neocolonialismo com a intenção de se apoderar definitivamente do controle do mais valioso recurso natural energético existente no Paraguai: a hidroenergia", afirma o editorial.

O Brasil e a Argentina são sócios do Paraguai, respectivamente, nas usinas hidroelétricas de Itaipu e de Yacyretá. Para o jornal, os acordos para a construção das duas usinas foram "negociados com funcionários corruptos da ditadura de Alfredo Stroessner" e são prejudiciais ao Paraguai.

O editorial afirma que os paraguaios devem se rebelar contra os "neocolonizadores" como fizeram em sua luta pela independência contra os colonizadores espanhóis, em 1811.

"O espírito de 1811 exige de todos os paraguaios rechaçar com decisão e firmeza a infame maquinaria do neocolinialismo de nossos vizinhos trapaceiros, que nos condenam injustamente a viver no estancamento e na miséria, apesar dos valiosíssimos recursos energéticos de que dispõe o nosso país", diz o texto.

"O Paraguai deve recuperar a soberania nacional sobre seus recursos energéticos e tornar independente o controle da energia elétrica paraguaia gerada em Itaipu e em Yacyretá da pretensão imperialista que estão mostrando, sem vergonha, a Argentina e o Brasil", conclui o editorial.

Ausência de Chávez

A cúpula de Assunção também tem destaque nos principais jornais argentinos nesta quinta-feira, com especial atenção à ausência do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, que havia aderido ao bloco na cúpula do ano passado.

"Com a significativa ausência política do presidente venezuelano, Hugo Chávez, e com uma agenda de trabalho concentrada principalmente no problema energético e nas dificuldades para a livre circulação de mercadorias entre fronteiras que preocupam o bloco nestes dias, começará hoje no Paraguai a 33ª cúpula do Mercosul", relata a reportagem do diário La Nación.

O Clarín ironiza a ausência de Chávez, dizendo que ele "sempre trabalha para conseguir protagonismo, seja por 'excesso' ou por 'ausência'". Para o jornal, Chávez "percebeu que entrar no Mercosul supõe uma tarefa: cumprir etapas às vezes dolorosas como a liberação do comércio".

"É nesse ponto em que Chávez começa a advertir que os custos podem ser maiores do que ele tinha calculado. Não por acaso, Caracas atrasou até agora o estabelecimento de um calendário para começar a incorporar as normas comunitárias", diz o jornal.

O jornal Página/12, por sua vez, observa que a adesão da Venezuela ao Mercosul ainda não foi ratificada pelos Congressos do Brasil e do Paraguai, dizendo que no caso brasileiro a demora "é produto do rechaço que Chávez gera em vários setores da principal potência econômica da região".

"A situação se agravou há algumas semanas, quando Chávez acusou o Senado brasileiro de repetir "como papagaios" as posições dos Estados Unidos, depois de receber um documento dos legisladores que pedia a reabertura do canal venezuelano RCTV", diz o jornal.

Segundo o diário, "alguns analistas críticos de Chávez sustentam que o tratamento do protocolo no Brasil se congelou pela disputa, mas o certo é que a situação já vinha atolada".

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