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02/07/2007 - 08h21

Atentados mostram ligação com o Iraque, dizem jornais britânicos

Alguns dos principais jornais britânicos destacaram nesta segunda-feira as semelhanças entre os dispositivos usados nos atentados frustrados em Londres e Glasgow na sexta-feira e no sábado e as bombas comumente usadas pela insurgência iraquiana.

"A tecnologia usada para os carros-bombas em Londres na semana passada e na tentativa de ataque suicida com carro-bomba no aeroporto de Glasgow é a mesma utilizada quase diariamente no Iraque", comenta artigo de análise publicado pelo diário 'The Daily Telegraph'.

"Bombas simples, mas altamente efetivas, feitas de botijões de gás e pregos se tornaram o cartão de visitas dos grupos radicais islâmicos em todo o mundo", afirma o texto.

Em editorial, o jornal 'The Guardian' comenta as tentativas do ex-premiê Tony Blair de separar a guerra do Iraque da ameaça terrorista à Grã-Bretanha e afirma que "o fato de as técnicas do Iraque terem sido exportadas para a Grã-Bretanha é mais do que simbólica".

"Essa não é uma prova de uma relação direta com a Al-Qaeda, nem deveria absolver os autores do atentado, mas é errado dizer que não há uma ligação com o Iraque", diz o editorial.

"Hoje, a recusa em reconhecer que a carnificina no Iraque é em parte uma conseqüência das ações ocidentais está prejudicando os interesses nacionais", afirma o Guardian.

Para o jornal, o governo do novo premiê, Gordon Brown, precisa "encontrar um discurso que reconheça o papel britânico em criar - sem intenção - as condições para instabilidade, guerra civil e desordem".

"Ele precisa encontrar não somente o desejo de se retirar com o tempo, mas também a linguagem para convencer a audiência de que isso é agora o propósito assentado do governo. Tal atitude não extirparia a causa terrorista no país, mas seria um começo em alterar as condições nas quais os terroristas recrutam novos membros. E também seria moralmente e historicamente correto", argumenta o jornal.

Radicais

O 'Times', por sua vez, argumenta em seu editorial que "os serviços de segurança precisam ter a mais plena cooperação da comunidades nas quais os radicais islâmicos aparecem".

"Os muçulmanos moderados nem sempre condenaram essas atrocidades e esses indivíduos com o vigor e o volume com que deveriam ter condenado, e algumas vezes contrapõem as condenações que são feitas com advertências sobre as políticas britânicas no Afeganistão, no Iraque ou no conflito israelo-palestino", diz o editorial.

Para o jornal, "se cada exemplo de radicalismo fosse relatado às autoridades, o trabalho de identificar potenciais criminosos se tornaria consideravelmente mais fácil. Também tornaria a aprovação de leis draconianas menos essencial do que poderia ser de outra forma".

O diário 'The Independent' comenta que as ameaças de ataques "representam um batismo de fogo para o novo primeiro-ministro" e diz que é positivo que Gordon Brown tivesse "a presença de espírito para apontar ontem que nossa resposta à ameaça do terrorismo precisa incluir medidas para ganhar 'corações e mentes' de muçulmanos comuns".

"No passado, ministros haviam respondido aos alertas terroristas concentrando-se exclusivamente em questões de segurança. Na verdade, a maneira de derrotar esse flagelo moderno é separando a minoria de extremistas da maioria moderada", afirma o editorial.

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