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03/07/2007 - 08h32

Lula cria polêmica ao anunciar competição com tráfico, diz 'El País'

O jornal espanhol El País comenta em reportagem publicada nesta terça-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez declarações polêmicas na véspera "ao afirmar que está disposto a acabar com o crime organizado e que para isso não lhe importa competir com os narcotraficantes".

A reportagem observa que o presidente brasileiro estava se referindo "ao trabalho social que os moradores das favelas do Rio e de São Paulo atribuem ao crime organizado, a quem vêem com melhores olhos do que à própria polícia".

O jornal relata o anúncio de um pacote de R$ 3,8 milhões em obras de infra-estrutura e benefícios sociais para as favelas cariocas "que rodeiam a cidade como uma triste coroa de espinhos".

A reportagem também observa que o plano inclui o Complexo do Alemão, "onde há mais de 40 dias se trava um duelo entre os traficantes e os homens da polícia e da Força Nacional de Segurança, numa guerra que na quarta-feira deixou um saldo de 19 mortos, supostamente membros do crime organizado, o que é contestado pelas organizações de defesa dos direitos humanos, que temem que podem ter sido assassinados também jovens inocentes".

A reportagem afirma que, "acusado pela oposição de não ter cumprido suas promessas de ajuda às favelas durante seu primeiro mandato, Lula quer reparar tal lacuna com esse grande investimento naqueles locais de horror e de violência".

"Pétalas de rosa"

O assunto também é tema de uma reportagem do diário argentino Clarín, que destaca a declaração de Lula de que "se o Estado não cumprir seu papel e não der melhores condições ao povo, será o narcotráfico que o substituirá no papel de prover benefícios sociais".

Segundo a reportagem do Clarín, as obras, que fazem parte do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), anunciado no início do ano, "representará melhorias substanciais na qualidade de vida de 2 milhões de habitantes das favelas fluminenses".

O jornal relata ainda a declaração de apoio de Lula às operações policiais no Complexo do Alemão e sua afirmação de que "não se pode enfrentar o narcotráfico com pétalas de rosa", mas observa que "há um rechaço crescente dos organismos de direitos humanos contra esse tipo de operações policiais".

Outro jornal argentino, La Nación, destaca a informação de que "quase 150 agentes da Força Nacional de Segurança já abandonaram a missão" de combate ao narcotráfico nas favelas do Rio de Janeiro "por não suportar a pressão".

"Segundo revelou a imprensa, um em cada 12 efetivos da Força Nacional de Segurança, a força federal de elite, decidiu deixar a missão nas favelas por estresse ou a pedido de seus familiares, que se espantam ao ver na televisão as cenas de violência nos morros", relata a reportagem.

Outros destaques da imprensa internacional

Investidores estrangeiros e brasileiros estão rapidamente jogando suas fichas no setor da cana-de-açúcar no Brasil, com a expectativa de que a crescente demanda global pelos biocombustíveis transforme o país em uma espécie de "Arábia Saudita verde", segundo afirma reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal britânico Financial Times.

A reportagem observa que o número de usinas de álcool de cana em operação no Brasil deve aumentar dos atuais 335 hoje para cerca de 425 em 2012, impulsionado principalmente pelo mercado interno.

"Mas o sonho de muitos investidores é que o Brasil se torne uma 'Arábia Saudita verde', fornecendo ao mundo uma nova alternativa aos combustíveis fósseis", diz o jornal.

Para o Financial Times, o Brasil tem a capacidade de multiplicar sua atual produção muitas vezes "sem, por exemplo, ameaçar a floresta amazônica, onde o clima é hostil à cana-de-açúcar".

Segundo a reportagem, os maiores obstáculos ao crescimento do etanol brasileiro estão nos mercados desenvolvidos, "onde produtores de etanol muito menos eficientes são protegidos por subsídios e tarifas de importação".

O jornal observa que o crescimento das exportações brasileiras depende, por exemplo, de que os Estados Unidos cortem sua tarifa de importação ao etanol de cana, atualmente em 54 centavos de dólar por galão, e que, globalmente, leis tornem o álcool combustível disponível nos postos de gasolina.

"Apesar disso, os investidores estão confiantes de que isso acontecerá", relata a reportagem.

Salada mais cara

O diário espanhol El Mundo afirma em reportagem publicada nesta terça-feira que a busca por combustíveis alternativos ao petróleo está "encarecendo a salada", observando que os biocombustíveis provocaram um aumento de 20% no preço do óleo de girassol nos últimos seis meses.

Segundo o jornal, as razões para o aumento "devem ser buscadas nas decisões políticas para reduzir as emissões de gases na atmosfera".

"Elas fizeram com que a indústria dos biocombustíveis encareça o preço dos produtos que também servem para alimentação e com a qual compete pela demanda por cereais, sementes oleaginosas e açúcar de cana ou de beterraba", afirma o jornal.

A reportagem observa, porém, que "apesar de os biocombustíveis produzidos com óleo de girassol estarem em alta, atualmente é o etanol fabricado a partir da cana-de-açúcar no Brasil o único com viabilidade econômica e que reduz claramente as emissões".

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