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04/07/2007 - 08h32

Cativeiro 'era como ser enterrado vivo', diz repórter

O correspondente da BBC em Gaza Alan Johnston foi libertado após 114 dias em cativeiro. Ele descreveu a sensação no cativeiro como "estar enterrado vivo", e contou como foi tratado por seus captores do chamado Exército do Islã.

"Foi uma experiência horrível - 16 semanas seqüestrado, às vezes (uma experiência) aterrorizante, e sempre amedrontadora porque eu nunca sabia quando ia acabar...

Era como ser enterrado vivo, removido do mundo, às vezes era aterrorizante... Era difícil imaginar a vida normal novamente.

Muitas vezes, sonhei literalmente com estar livre, e sempre acordava naquele quarto. E agora que acabou de verdade, é impossível descrever como é bom.

Ontem à noite, quando eles me levaram para o andar de baixo (da casa) e disseram que eu ia voltar para a Grã-Bretanha... Na verdade, já haviam me dito isto uma vez anteriormente, quando me mudaram para outro cativeiro. Então eu estava lutando contra o desejo de crer que tudo estava mesmo prestes a terminar.

Mesmo quando eu estava no carro, pensei no começo: "Eles estão me mudando de cativeiro novamente", e pensei que talvez eles estivessem me transferindo para outros seqüestradores. Mas à medida que começamos a entrar mais e mais na Cidade de Gaza realmente comecei a crer que talvez eles estivessem encerrando tudo.

Quando me deixaram sair do carro, havia homens armados em volta e eu pensei: "Não, não, estes são outros seqüestradores". Mas então vi Fayed Abu Shammaia, com quem eu havia trabalhado por três anos, e foi o momento mais fantástico. E só então eu acreditei, finalmente, que havia acabado.

'Grupo perigoso'
Os captores eram muitas vezes rudes e desagradáveis, como é de se imaginar. Eles ameaçaram minha vida, de verdade, várias vezes e de diversas maneiras.

Houve um período de 24 horas em que eles pareciam bastante irritados com as negociações, e me acorrentaram pelas mãos e os calcanhares. Mas foi por apenas 24 horas.

Vivi em Gaza havia três anos, e sei muito bem o que é a cultura palestina, a hospitalidade e o calor extraordinários, especialmente em Gaza.

Eu sabia que o punhado de pessoas que me seqüestraram era uma aberração - algo completamente diferente.

Minhas memórias de Gaza serão as melhores, apesar do que me aconteceu.

É verdade que os seqüestros - eu cobri 27 deles - quase todos se acabavam em cerca de 12 dias.

Eu sabia que se tratava de um grupo perigoso. Conhecia-os, e sempre tive medo deles. Eles atacaram pela primeira vez em agosto do ano passado, e sempre me preocupei pela possibilidade de um dia eles me pegarem, como fizeram.

Em todo o espectro político palestino houve condenas ao seqüestro e pedidos por minha libertação. (O líder do Hamas, Ismail) Haniya foi muito claro a respeito disso desde o início. Me lembro de ouvi-lo dizendo que eu era um convidado do povo palestino, e que o que estava acontecendo não era certo.

Mas tenho de dizer que os seqüestradores pareciam muito confortáveis e muito seguros em sua operação - até algumas semanas atrás, quando ficou claro que o Hamas seria responsável pela segurança da área.

Depois disso, os seqüestradores passaram a se mostrar muito mais nervosos, e eu comecei a me dar conta, comecei a sentir que talvez, com sorte, o fim estava próximo."

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