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07/08/2007 - 12h27

Mãe de austríaca que passou 8 anos em cativeiro lança livro

Luis Fernando Ramos
De Viena
A mãe da austríaca Natascha Kampusch, que passou oito anos num cativeiro, lançou nesta terça-feira um livro que fala do seqüestro e do relacionamento complicado com a filha.

Brigitte Sirny diz que "Anos de Desespero" descreve os momentos difíceis vividos pela família, depois que Natascha foi seqüestrada por Wolfang Priklopil, em 1998.

"No livro, eu descrevo todos os estágios do inferno que passei. Sempre me perguntam como agüentei ficar oito anos sem ter notícias da própria filha. Agora, podem ler para ter as respostas", disse a autora, no lançamento.

A história traz detalhes da experiência da mãe, definida várias vezes como um "martírio" que começou em 2 de março de 1998, dia do seqüestro.

"A polícia resolveu começar as buscas no porão da minha casa, porque eles achavam que eu tinha assassinado e escondido Natascha", escreveu.

A mãe também descreveu como foi o reencontro na delegacia depois que Natascha fugiu do cativeiro, em 23 de agosto do ano passado.

"Natascha está magra, muito pálida, mas eu a reconheci imediatamente. Eu ando até ela, nos abraçamos. Permanecemos assim por um tempo e eu percebo o quanto ela está tremendo. Ela se solta. Com uma mão ela segura meu vestido, me olha de alto a baixo e diz: 'Você continua tão magra e tão sexy. Eu achei que viria uma velha acabada", conta Sirny no livro.

Relacionamento delicado
A reconstrução da relação entre mãe e filha neste último ano também é tratada no livro.

Sirny diz que a filha já a comparou algumas vezes com seu seqüestrador.
"Sempre digo a ela para me olhar nos olhos e reafirmo que sou sua mãe. Volta e meia ela me compara com o criminoso, e isso me deixa muito mal."

Atualmente, mãe e filha se vêem em média apenas uma vez por semana. Segundo Sirny, Natascha prefere ficar sozinha.

A jovem ainda sofre conseqüências do período em que ficou seqüestrada, como dores de cabeça freqüentes por causa da claridade e dificuldades de concentração -- o que a tem atrapalhado na retomada dos estudos.

Aos poucos, a jovem vai retomando a vida normal. A mãe diz que ela tem saído com amigos e que está namorando.

Brigitte Sirny ainda responde na Justiça às acusações do juiz aposentado Martin Wabl de que teria participação no seqüestro da filha.

O processo ainda está em andamento, mas tudo indica que ela será absolvida. Tanto Natascha quanto os policiais ouvidos no caso afirmam que a mãe é inocente.

Motivação financeira
Natascha Kampusch compareceu ao lançamento do livro, mas não fez declarações. A imprensa austríaca acusa a mãe da jovem de publicar o livro por interesse financeiro.

"O livro vai lhe trazer dinheiro, mas de jeito nenhum a simpatia da própria filha. Fica difícil entender qual destas duas coisas (o dinheiro ou Natascha) é mais importante para Brigitte Sirny", afirmou a jornalista e cientista política Irene Brickner.

Em conversa com a imprensa, Sirny assumiu que passa por dificuldades financeiras, mas negou que tenha escrito o livro por dinheiro.

"Estou vivendo mal. Já ofereci a Natascha para limpar a casa dela, como se fosse uma criada, para que ela me permitisse uma renda. Mas ela não aceitou."

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